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Quando a mediunidade desperta, o medo é normal.

O despertar da mediunidade costuma ser um dos momentos mais delicados da caminhada espiritual. Para muitos, ele chega de forma silenciosa; para outros, vem acompanhado de sensações intensas, fenômenos inesperados e, quase sempre, de um sentimento comum e profundamente humano: o medo. O Livro dos Médiuns, obra fundamental organizada por Allan Kardec, não ignora essa realidade. Ao contrário, esclarece que o medo inicial não é sinal de fraqueza moral nem de inferioridade espiritual, mas uma reação natural diante do desconhecido.

Quando a mediunidade começa a aflorar, o indivíduo percebe que o mundo não se limita mais ao que os olhos físicos alcançam. Sons sem causa aparente, objetos que se movem, sensações de presença, sonhos vívidos, intuições repentinas ou alterações emocionais súbitas passam a fazer parte do cotidiano. É como se uma nova porta da percepção se abrisse sem aviso prévio. O que antes era invisível começa a se manifestar, e o espírito encarnado, ainda despreparado, sente-se vulnerável.

Kardec explica que as manifestações espíritas sempre existiram, em todos os tempos e culturas, mas eram frequentemente envoltas em superstição, medo e explicações fantasiosas. O Espiritismo surge justamente para retirar o véu do sobrenatural aterrador e apresentar os fenômenos mediúnicos sob a luz da razão, do estudo e da observação criteriosa. Ainda assim, para quem vive essas experiências pela primeira vez, o impacto emocional pode ser significativo.

Entre as manifestações físicas descritas em O Livro dos Médiuns, destacam-se os movimentos e suspensões de objetos. Mesas que giram, cadeiras que se deslocam, objetos que caem ou são arremessados sem contato humano sempre impressionaram o imaginário popular. No início da mediunidade, quando esses fenômenos ocorrem de forma espontânea e desordenada, o médium pode sentir-se ameaçado, como se tivesse perdido o controle da própria realidade. Kardec esclarece que tais fenômenos, longe de serem obra de forças malignas inevitáveis, resultam da ação de Espíritos que utilizam o fluido mediúnico disponível, muitas vezes sem intenção de assustar, mas encontrando terreno psíquico sensível e desprevenido.

Os ruídos sem causa física — pancadas, estalos, batidas repetidas — também são fonte frequente de medo. Historicamente, essas manifestações deram origem à ideia de “casas mal-assombradas”. No entanto, o Espiritismo ensina que os chamados lugares assombrados não o são por si mesmos; o que existe é a presença de Espíritos vinculados ao ambiente ou às pessoas que ali convivem. O medo nasce quando se atribui aos fenômenos uma intenção ameaçadora absoluta, sem compreensão de sua origem e natureza.

As aparições, parciais ou completas, talvez sejam as experiências que mais despertam temor. Ver uma forma, um vulto, um rosto ou uma figura humana onde aparentemente não deveria haver nada desafia profundamente o senso de normalidade. Kardec orienta que tais visões não são, em si, perigosas, mas exigem equilíbrio emocional, discernimento e, acima de tudo, educação mediúnica. O medo surge quando a imaginação, ainda não educada pelo estudo, se antecipa aos fatos e cria cenários de terror onde deveria haver análise serena.

É importante compreender que o medo, nesse estágio inicial, é quase sempre alimentado pela ignorância. Não ignorância no sentido moral, mas pela falta de conhecimento doutrinário. O médium iniciante, sem orientação, tende a interpretar tudo como ameaça, castigo ou prova sobrenatural. O Espiritismo, ao contrário, ensina que a mediunidade é uma faculdade natural, que pode se manifestar de forma mais ostensiva em determinadas fases da vida, especialmente quando o Espírito reencarnado assume compromissos mais claros com o próprio progresso e com o serviço ao próximo.

Daí a insistência de O Livro dos Médiuns na necessidade do estudo sério. Kardec é categórico ao afirmar que a prática mediúnica sem conhecimento é uma das maiores causas de perturbação, mistificação e sofrimento. O estudo esclarece, acalma, organiza e protege. Ele não elimina a mediunidade, mas educa sua expressão. Onde há conhecimento, o medo perde força; onde há entendimento, o fenômeno deixa de ser ameaça e passa a ser responsabilidade.

Outro ponto fundamental é a educação moral do médium. A mediunidade não se sustenta apenas na técnica ou na curiosidade pelos fenômenos. A humildade é base indispensável para todo bom médium cristão. Humildade para reconhecer limites, para aceitar orientação, para compreender que a mediunidade não é privilégio, mas tarefa. O orgulho, o desejo de destaque ou a busca por experiências espetaculares ampliam o medo e atraem Espíritos levianos, reforçando o desequilíbrio emocional.

A educação mediúnica, aliada à vivência do Evangelho, oferece ao médium segurança interior. A prece, a disciplina mental, o cultivo de bons pensamentos e a prática do bem criam uma atmosfera psíquica que reduz drasticamente os fenômenos perturbadores. O medo, então, vai sendo substituído pela confiança. Não uma confiança ingênua, mas uma confiança lúcida, baseada no conhecimento das leis espirituais.

Assim, o medo no começo da mediunidade não deve ser reprimido nem romantizado. Ele precisa ser compreendido, acolhido e superado pelo estudo e pela vivência cristã. O médium que estuda deixa de temer; o médium que se educa moralmente se fortalece; o médium humilde aprende a servir sem se exaltar. Como ensina o Espiritismo, a mediunidade não foi concedida para assustar, impressionar ou dominar, mas para esclarecer, consolar e auxiliar na construção de um mundo mais fraterno.

Quando o medo cede lugar à compreensão, a mediunidade deixa de ser um peso e se transforma em instrumento de crescimento espiritual — para o médium e para todos aqueles que com ele caminham.

Para encerrar, vale recordar o ensinamento seguro de Suely Caldas Schubert, que tantas vezes advertiu que a mediunidade, quando surge sem orientação, pode realmente assustar, mas jamais deve ser motivo de pânico ou abandono. Em sua literatura, ela enfatiza que o medo diminui à medida que o médium compreende o fenômeno e educa a própria sensibilidade, pois a mediunidade não desequilibra ninguém por si mesma; o que desequilibra é a falta de conhecimento e de disciplina interior. Em harmonia com esse pensamento, Divaldo Franco ensina que a mediunidade é uma concessão divina para o serviço, e que o estudo sério, aliado ao esforço moral e à vivência do Evangelho, transforma a insegurança inicial em confiança serena. Assim, o medo que acompanha os primeiros passos não é um fim, mas um convite ao amadurecimento espiritual, lembrando-nos de que a mediunidade cristã se sustenta no tripé do conhecimento, da humildade e do amor, únicos capazes de conduzir o médium ao equilíbrio e à verdadeira paz interior.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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