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A Lei da Igualdade no Espiritismo: Machismo, Feminismo e a Evolução das Relações Humanas

                         

A convivência humana saudável repousa no respeito mútuo, na compreensão das diferenças e na maturidade psicológica que permite reconhecer o outro como sujeito de direitos, jamais como objeto de dominação ou submissão. Em Encontro com a Paz e a Saúde, Joanna de Ângelis analisa com lucidez os conflitos que emergem das relações desequilibradas, nas quais a prepotência de uns e a submissão injustificável de outros revelam profundas imaturidades emocionais.

O indivíduo psicologicamente imaturo tende a estabelecer relações de poder, impondo-se pela força moral aparente, pela arrogância ou pelo medo que inspira. Essa postura não constrói vínculos felizes nem duradouros. Ao contrário, denuncia conflitos íntimos não resolvidos, insegurança e receio do autoenfrentamento. Aquele que exige obediência não busca harmonia, mas alívio momentâneo para as próprias fragilidades, descarregando no outro as angústias que não consegue elaborar.

De igual modo, quem se submete sistematicamente, abrindo mão da própria identidade para preservar vínculos adoecidos, mascara sob a aparência de bondade uma covardia moral silenciosa. O medo da solidão, da rejeição ou da perda da convivência conduz à anulação do eu, gerando desajuste, tristeza e infelicidade. Não há razão legítima para tolerar atitudes arbitrárias, doentias ou opressoras — sejam elas provenientes de parceiros afetivos, familiares, ambientes religiosos ou relações profissionais. Respeitar a área de liberdade em que cada qual se encontra é imperativo ético da convivência humana.

A arrogância, ensina Joanna de Ângelis, é expressão de pequenez moral. Nela se comprazem muitos portadores de distúrbios de conduta, que se apoiam em títulos, papéis sociais ou força física para ocultar o vazio interior. Trata-se de um comportamento defensivo, nascido do medo de ser desnudado em sua fragilidade psicológica.


Machismo: herança multimilenária no inconsciente coletivo

O machismo constitui uma herança multimilenária, profundamente insculpida no inconsciente coletivo da humanidade. Suas raízes remontam às tradições mosaicas da criação, especialmente à narrativa simbólica da retirada da costela de Adão para a formação da mulher, interpretação que alimentou a ideia de dependência e subordinação feminina. A partir daí, a mulher passou a ser vista como extensão do homem, objeto de uso social, doméstico e reprodutivo.

Tanto nas religiões do Oriente quanto do Ocidente, a condição feminina foi marcada por inferioridade, discriminação e punição simbólica. Considerada instrumento do pecado, foi relegada à obediência cega, sem direito à própria felicidade, transformada em moeda de troca por pais arbitrários que decidiam seu destino. Tornou-se fonte de prazer sexual ou simples reprodutora, destituída de direitos civis, morais e espirituais.

Mesmo pensadores influentes não escaparam desse viés. Santo Agostinho, após sua conversão ao Cristianismo, evitava as mulheres por considerá-las ocasião de pecado; Freud, por sua vez, interpretou a psique feminina sob o prisma da “inveja do pênis”, reforçando estigmas que atravessaram séculos. Essa sistemática indução à inferioridade produziu profundos conflitos emocionais, levando muitas mulheres à submissão, à repressão dos sonhos e ambições naturais, desencadeando processos depressivos, enfermidades psicossomáticas ou rebeldias silenciosas.

Entretanto, milênios de opressão não foram suficientes para conter a expansão da sensibilidade e da inteligência femininas. Espíritos de escol renasceram na indumentária feminina com a missão de romper cadeias de ignorância e preconceito, impondo-se pelo exemplo, pela capacidade de servir, administrar, educar e amar. Demonstraram que a fragilidade atribuída à mulher restringe-se, quando muito, à força física, em razão da constituição hormonal e da finalidade sublime da maternidade.

A história registra marcos significativos dessa conquista: em 8 de março de 1857, as tecelãs de uma fábrica em Nova Iorque reivindicaram melhores condições de trabalho; a peça “Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, expôs com profundidade o conflito machista e sua imprudência moral; em 1910, na II Conferência Internacional das Mulheres, na Dinamarca, instituiu-se o Dia Internacional da Mulher; e, em 1932, as mulheres conquistaram o direito ao voto em diversos lugares na América do Norte. A marcha do progresso revelou, gradualmente, que a sociedade é formada por ambos os sexos, igualmente responsáveis pela construção do mundo.

Ainda persistem, no psiquismo feminino, marcas de rejeição, punição e desprezo, mas as novas conquistas tendem a diluí-las, para que, no futuro, o respeito recíproco seja a tônica psicológica e social da humanidade.

Embora o machismo ainda se manifeste, de maneira explícita ou velada, em determinados ambientes sociais, familiares, religiosos e profissionais, é inegável que as conquistas femininas das últimas décadas reposicionaram a mulher em um novo patamar de dignidade e protagonismo. Hoje, ela ocupa espaços de liderança, decisão e influência moral, demonstrando, pelo mérito e pela competência, a falácia da antiga inferioridade que lhe era atribuída. No entanto, o enfrentamento do machismo não se faz por meio da vulgaridade, da agressividade ou da adoção de posturas depreciativas, que apenas reproduzem, sob nova forma, o mesmo padrão de desrespeito que se pretende combater. A verdadeira superação desse comportamento ancestral ocorre pela educação moral, pela elevação da consciência e pela afirmação serena dos valores humanos e espirituais, capazes de transformar relações sem gerar novos conflitos, conduzindo homens e mulheres a uma convivência mais justa, equilibrada e fraterna.


Feminismo: a ânsia legítima de liberdade

A ânsia de liberdade é inerente ao ser humano, por constituir lei natural da vida. Ao longo da história, missionárias do pensamento e da ação enfrentaram a intolerância, demonstrando que a biologia não determina a capacidade mental, cultural ou espiritual. Elas romperam as primeiras correntes da submissão, abrindo caminhos para a emancipação.

A rebelião sexual foi, em determinado momento histórico, o estopim de profundas transformações sociais. Contudo, ao lado das conquistas legítimas, surgiram exageros e oportunismos. Indivíduos emocionalmente perturbados passaram a exigir regras aberrantes, confundindo liberdade com licenciosidade, vitória moral com confronto agressivo.

O acesso ao trabalho, antes restrito, ampliou-se. Entretanto, novos conflitos emergiram: o crescimento do tabagismo, do alcoolismo, da sexualidade vazia e silenciosa, do prazer sem amor e do gozo sem emoção. Tais experiências, longe de preencherem o vazio existencial, geraram tédio, depressão, síndrome do pânico e outras perturbações, substituindo antigos medos por sofrimentos mais complexos.

Joanna de Ângelis recorda que a mulher é essencialmente mãe, pela constituição biológica e psicológica, forte e frágil ao mesmo tempo, vigorosa e meiga por imposição evolutiva. Não se trata de imposição social, mas de vocação espiritual. A negação sistemática da maternidade, quando motivada por fuga, revanche inconsciente ou medo de amar, pode gerar desequilíbrios. Todo exagero produz consequências lamentáveis. A liberdade conquistada não deve ser confundida com arrogância, confronto ou negação das responsabilidades naturais.


A mulher reúne qualidades singulares que a tornam indispensável ao equilíbrio da vida: sensibilidade apurada, capacidade de acolhimento, intuição refinada, força moral silenciosa e extraordinária aptidão para amar e educar. Essas virtudes não a diminuem; ao contrário, engrandecem-na como espírito imortal em processo de evolução. Embora a maternidade constitua uma experiência profunda e transformadora para muitas mulheres, não pode ser erigida em imposição moral ou social. A decisão de procriar pertence ao foro íntimo de cada consciência, conforme suas condições emocionais, projetos existenciais e compromissos espirituais. Todavia, essa liberdade de escolha não se confunde com o direito de interromper a vida em formação, uma vez que o aborto representa violação às Leis Divinas que regem a vida e a reencarnação. Respeitar a liberdade feminina, portanto, é reconhecer o direito à autodeterminação responsável, sem negar a sacralidade da vida, compreendendo que a verdadeira emancipação se expressa na consciência moral, no amor e no compromisso com a vida em todas as suas etapas.


Direitos Igualitários à luz do Espiritismo

O Espiritismo oferece base sólida para a compreensão dos direitos igualitários. Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta:
“Perante Deus, têm o homem e a mulher os mesmos direitos?”
Os Espíritos respondem, na questão 803: “Sim; Deus lhes deu a mesma inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir.”

Na questão 804, os Espíritos Superiores esclarecem que a pretensa inferioridade moral atribuída à mulher não procede da Lei Divina, mas resulta das leis humanas injustas, criadas pelo predomínio do orgulho e do egoísmo ao longo da história. Deus não estabelece privilégios nem inferioridades entre Seus filhos; concede a todos as mesmas possibilidades de progresso espiritual. Já na questão 805, ensina-se que as funções sociais podem e devem variar, conforme as aptidões, tendências e experiências adquiridas por cada espírito ao longo de múltiplas existências, sem que isso implique superioridade de um sobre o outro. Homens e mulheres apresentam competências específicas, talentos próprios e faculdades desenvolvidas em diferentes graus, fruto do esforço pessoal e da vivência reencarnatória, mas tais diferenças jamais anulam a igualdade essencial de direitos, deveres e dignidade perante a Lei Divina, que é soberanamente justa e amorosa.

Nas questões 817 a 822, a Doutrina Espírita aprofunda o entendimento da igualdade de direitos ao esclarecer que as distinções sociais, biológicas e funcionais existentes entre os seres humanos constituem experiências educativas transitórias, destinadas ao aprimoramento do espírito imortal. Homem e mulher não foram criados para competir, mas para complementar-se, cooperando entre si na construção do bem comum e no equilíbrio da vida social e familiar. Não existe inferioridade de um em relação ao outro, mas diferenças naturais que atendem a finalidades específicas no processo evolutivo. Pela lei da reencarnação, o mesmo espírito ora renasce no corpo masculino, exercitando determinadas funções e aprendizados, ora no corpo feminino, desenvolvendo outras aptidões, especialmente aquelas ligadas à sensibilidade, ao cuidado, à gestação da vida e à educação moral. A fragilidade física relativa da mulher, quando comparada à força muscular do homem, não implica fragilidade espiritual ou intelectual, antes se harmoniza com missões próprias, igualmente dignas e necessárias. Assim, a igualdade de direitos se fundamenta no valor intrínseco do espírito, independentemente do sexo que o reveste temporariamente, garantindo a ambos as mesmas oportunidades de progresso, responsabilidade e participação na obra divina.

Assim, compreende-se que direitos igualitários não significam uniformidade, tampouco supremacia de um sexo sobre o outro. Significam respeito, cooperação, maturidade emocional e reconhecimento da dignidade espiritual de todos. Onde houver dominação ou submissão injustificável, haverá sofrimento. Onde houver diálogo, consciência e amor, instalar-se-á a verdadeira paz.

A humanidade caminha, lentamente, para esse equilíbrio. Cada gesto de respeito, cada relação vivida com maturidade psicológica, contribui para a construção de um mundo mais justo, fraterno e verdadeiramente humano.

Artigo Relacionado: Igualdade de Direitos do Homem e da Mulher

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

Bibliografia: Livro "Encontro com a Paz e a Saúde" de Divaldo Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis - Capítulo 4 - Editora Leal ; O Livro dos Espíritos, Questões 803 a 805 (Lei de Igualdade) e 817 a 822 (Igualdade de Direitos) - FEB Editora.

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