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Sexo e Obsessão: quando o desejo abre portas para a influência espiritual

A obsessão raramente começa pela força. Muitas vezes, ela encontra uma porta que já estava entreaberta dentro de nós.

Na visão espírita, os Espíritos que desejam perturbar um encarnado procuram, frequentemente, os pontos em que ele demonstra maior fragilidade. Quem apresenta forte apego ao dinheiro pode encontrar Espíritos interessados em alimentar a ambição, a desonestidade ou a corrupção. Quem cultiva a vaidade pode ser estimulado ao orgulho. Quem traz dificuldades relacionadas à agressividade pode receber sugestões que ampliem a irritação e o desejo de vingança.

Com a sexualidade não é diferente.

Quando o desejo sexual se transforma em desequilíbrio, compulsão, abuso, infidelidade, exploração ou instrumento de domínio sobre outra consciência, pode tornar-se campo favorável à influência de Espíritos que compartilham das mesmas tendências. Eles sugerem, estimulam, provocam e intensificam pensamentos e desejos. Mas há uma questão fundamental: o obsessor pode influenciar, mas não substitui a vontade do encarnado.

É justamente essa reflexão que ganha força no livro Sexo e Destino , de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. O romance apresenta as histórias de duas famílias ligadas por experiências de outras existências e mostra como antigos compromissos, sentimentos mal resolvidos, paixões e desregramentos podem reaparecer em novas experiências. A narrativa demonstra como a obsessão pode encontrar terreno fértil quando a criatura alimenta dentro de si sentimentos e comportamentos que favorecem a sintonia.

O caso de Cláudio é particularmente perturbador. Ele se encontra envolvido pela influência de companheiros desencarnados que exploram suas tendências e o induzem a pensamentos e atitudes moralmente graves, chegando a tentar levá-lo a ultrapassar os limites da própria família. A cena mostra uma espécie de associação entre encarnado e desencarnados: de um lado, a sugestão; de outro, a aceitação.

E aqui está uma das lições mais importantes do livro: não devemos imaginar o obsediado como um fantoche absolutamente privado de vontade.

Ao analisar Cláudio, os benfeitores deixam claro que ele continua responsável por suas escolhas. Os obsessores sugerem, mas ele aceita. Eles estimulam, mas encontram nele alguma correspondência. A influência espiritual pode ser poderosa, porém a responsabilidade permanece ligada à capacidade de escolha de cada Espírito.

Isso também ajuda a compreender uma questão muito comum: o álcool pode favorecer a sintonia com Espíritos inferiores?

Dentro da perspectiva apresentada por André Luiz, sim. O álcool, quando utilizado de maneira a reduzir o controle e favorecer estados de embriaguez, pode facilitar a aproximação de Espíritos que encontram afinidade naquele padrão de desejos. Em Sexo e Destino, há inclusive uma cena em que Cláudio, ao beber, torna-se ainda mais acessível à influência dos companheiros desencarnados.

Mas não devemos transformar isso em uma explicação simplista de que uma bebida automaticamente coloca alguém sob domínio espiritual. O problema está no conjunto: o hábito, a intenção, o estado mental, a repetição do comportamento e a sintonia estabelecida. A obsessão encontra terreno mais favorável quando a própria criatura alimenta aquilo que o obsessor deseja explorar.

Então, como impedir essas conexões?

A resposta espírita não está em viver com medo dos Espíritos, mas em trabalhar a própria intimidade. Autoconhecimento, oração, vigilância dos pensamentos, disciplina, estudo, equilíbrio emocional e esforço de transformação moral fortalecem a vontade e modificam o padrão de sintonia.

E os benfeitores espirituais? Podem simplesmente afastar os obsessores?

Nem sempre.

Sexo e Destino mostra que a Espiritualidade Superior auxilia, protege, orienta e cria recursos para que os envolvidos encontrem caminhos de recuperação. Entretanto, os benfeitores não retiram da criatura as

 experiências necessárias ao seu aprendizado nem anulam compromissos assumidos perante a própria consciência. Auxiliar não significa substituir a vontade daquele que precisa aprender a escolher.

É por isso que, diante de determinadas situações, os benfeitores podem parecer limitados. Na realidade, eles respeitam a liberdade humana e as leis que regem a evolução. Podem inspirar uma decisão melhor, favorecer uma oportunidade de renovação, amparar durante uma crise e fortalecer aquele que deseja mudar. Mas não podem fazer pelo encarnado aquilo que somente ele pode realizar.

No campo sexual, essa responsabilidade torna-se ainda mais evidente. André Luiz afirma que, quanto mais a criatura se eleva, mais compreende que o uso do sexo exige discernimento diante das responsabilidades que acarreta. Uma ligação sexual não envolve apenas o corpo: quando instalada no campo afetivo, pode produzir consequências profundas nas consciências envolvidas. Por isso, todo desregramento que cause prejuízo a alguém reclama reparação, assim como qualquer outro abuso que provoque dano.

Essa responsabilidade também alcança os vínculos afetivos e as consequências que podem surgir quando uma relação é rompida de maneira irresponsável. Em Sexo e Destino, o Irmão Régis chama atenção para o fato de que o abandono injustificado de um companheiro ou companheira pode desencadear desregramentos passionais naquele que foi prejudicado, criando para quem provocou o dano um compromisso perante a própria consciência. Não se trata de uma punição divina, mas da consequência natural de uma ação que interferiu profundamente na vida de outra pessoa. Afinal, como resume o próprio Régis, “ninguém causa prejuízo a outrem sem embaraçar a si mesmo”.

Isso não significa transformar o sexo em algo negativo. Ao contrário. O livro apresenta o sexo como atributo da individualidade humana e mostra que seu exercício exige maturidade, respeito, responsabilidade e consciência.

Da mesma forma, é necessário separar desajuste sexual de orientação sexual. A homossexualidade, por si só, não constitui falta moral. Em Sexo e Destino, Félix esclarece que Espíritos podem reencarnar em diferentes condições e que a alma retorna à experiência física para melhorar e aperfeiçoar-se, nunca sob uma destinação para o mal. Os delitos, sejam quais forem, são responsabilidade daqueles que os praticam. O livro também afirma que, perante a Justiça Divina, aqueles considerados “anormais” pela sociedade devem receber a mesma dignidade e proteção que os demais.

Portanto, o problema espiritual não está simplesmente em quem uma pessoa ama, mas naquilo que ela faz com seus sentimentos, desejos e liberdade. Abuso, violência, exploração, traição deliberada, compulsão e qualquer conduta que provoque sofrimento ou destrua consciências exigem responsabilidade e reparação.

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A grande lição de Sexo e Destino talvez seja justamente esta: ninguém é vítima absoluta de seus obsessores, mas também ninguém está sozinho diante deles.

Há Espíritos que procuram explorar nossas fraquezas, mas há igualmente benfeitores que trabalham pelo nosso reerguimento. Entre uma influência e outra permanece aquilo que jamais devemos esquecer: nossa liberdade de escolher.

Por isso, a melhor defesa contra a obsessão não é apenas afastar o obsessor. É modificar aquilo que dentro de nós oferece sintonia para que ele permaneça.

Quando o pensamento se transforma, a conduta se transforma. Quando a conduta se transforma, a sintonia muda. E quando a sintonia muda, muitas portas que antes permaneciam abertas à perturbação deixam de existir.

Leia também: O Espiritismo e a Homossexualidade

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo 

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