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Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
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Prece de Cáritas
“Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai a força àquele que passa pela provação; dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.
Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito, a consolação; ao doente, o repouso.
Pai, dai ao culpado o arrependimento; ao Espírito, a verdade; à criança, o guia; ao órfão, o pai.
Senhor, que a vossa bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aqueles que não vos conhecem; esperança para aqueles que sofrem.
Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.
Deus, um raio, uma centelha do vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.
Um só coração, um só pensamento subirá até vós como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos. Ó bondade! Ó poder! Ó beleza! Ó perfeição! Queremos de algum modo merecer a vossa misericórdia.
Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso, a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se deve refletir a vossa santa e misericordiosa imagem.”
A Prece de Cáritas ocupa lugar especial no movimento espírita pela beleza, profundidade e pela força vibracional que muitos grupos relatam sentir ao pronunciá-la. Segundo a tradição espírita, ela teria sido recebida por psicografia em uma reunião mediúnica realizada em Bordeaux, na França, numa noite de Natal, no ano de 1873, sendo posteriormente publicada em 1875. A médium que a teria recebido foi conhecida como Madame W. Krell. Desde então, a prece atravessou fronteiras e tornou-se uma das mais conhecidas dentro das casas espíritas.
O Espírito comunicante assinou como “Cáritas”. A palavra vem do latim e significa “caridade”, o amor em sua expressão mais elevada — não apenas esmola material, mas benevolência, indulgência e perdão, conforme ensina Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo. Não há consenso histórico absoluto sobre a identidade espiritual de Cáritas, mas dentro da compreensão doutrinária ela representa um Espírito de elevada hierarquia moral, identificado com a vibração do amor universal.
A prece possui um caráter profundamente universal. Diferente de orações que expressam pedidos pessoais ou interesses particulares, a Prece de Cáritas suplica o essencial: “Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai a força àquele que passa pela provação; dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.” Observe que não há barganha espiritual, nem promessa em troca de favores. A oração não negocia com Deus; ela reconhece Sua soberania e pede recursos morais — força, luz, compaixão. Isso revela maturidade espiritual: pedir aquilo que transforma o interior, e não apenas as circunstâncias externas.
Quando a prece pede “força”, fala da capacidade de suportar provas sem revolta. No espiritismo, as dificuldades são vistas como oportunidades educativas do Espírito. A “luz” representa discernimento, entendimento das leis divinas, clareza de consciência. Já “compaixão e caridade” indicam a transformação das relações humanas — sair do egoísmo para a fraternidade.
Outro trecho marcante diz: “Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito, a consolação; ao doente, o repouso.” Aqui vemos símbolos profundos. O “viajor” é o Espírito encarnado, peregrino na Terra. A “estrela guia” simboliza a orientação superior, a inspiração dos bons Espíritos. O “repouso” ao doente não se limita à cura física, mas inclui paz íntima, resignação e confiança.
Dentro dos grupos espíritas, a Prece de Cáritas é frequentemente utilizada para harmonizar ambientes, iniciar reuniões mediúnicas — especialmente as de desobsessão — e preparar os corações antes da aplicação de passes magnéticos. Muitos trabalhadores relatam que, após sua recitação, há perceptível mudança de vibração: o ambiente se torna mais sereno, os médiuns mais seguros, os participantes mais receptivos.
Isso se explica, na visão espírita, pelo magnetismo que acompanha a mensagem. Toda oração sincera gera irradiação mental. No caso da Prece de Cáritas, acredita-se que haja uma “assinatura vibracional” elevada, construída tanto pelo teor moral do texto quanto pela sintonia coletiva que ela desperta ao longo de gerações. É como se funcionasse como um código espiritual: ao ser pronunciada com fé e humildade, estabelece sintonia entre o coração humano e as esferas superiores.
Não é a fórmula em si que opera o efeito, mas o conteúdo moral aliado à intenção sincera. A prece acolhe, não julga; inspira, não amedronta. Não fala em punição, mas em amparo. Não desperta medo de Deus, mas confiança filial. Por isso, muitos afirmam que os benfeitores espirituais se aproximam com maior facilidade quando ela é entoada com recolhimento.
Mais do que palavras, a Prece de Cáritas é um convite à transformação interior. Ao repeti-la, o indivíduo vai internalizando seus valores — compaixão, fraternidade, coragem diante das provas. Ela não promete milagres instantâneos, mas propõe alinhamento com as leis divinas.
Assim, sua permanência ao longo do tempo não se deve apenas à tradição, mas à experiência vivida por incontáveis grupos que sentem, na prática, seus efeitos de pacificação e elevação moral. Em essência, a Prece de Cáritas continua sendo um chamado ao amor universal — a caridade que começa no coração e se expande como luz no mundo.
Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo
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