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Sexo e Obsessão: quando o desejo abre portas para a influência espiritual

A obsessão raramente começa pela força. Muitas vezes, ela encontra uma porta que já estava entreaberta dentro de nós. Na visão espírita, os Espíritos que desejam perturbar um encarnado procuram, frequentemente, os pontos em que ele demonstra maior fragilidade. Quem apresenta forte apego ao dinheiro pode encontrar Espíritos interessados em alimentar a ambição, a desonestidade ou a corrupção. Quem cultiva a vaidade pode ser estimulado ao orgulho. Quem traz dificuldades relacionadas à agressividade pode receber sugestões que ampliem a irritação e o desejo de vingança. Com a sexualidade não é diferente. Quando o desejo sexual se transforma em desequilíbrio, compulsão, abuso, infidelidade, exploração ou instrumento de domínio sobre outra consciência, pode tornar-se campo favorável à influência de Espíritos que compartilham das mesmas tendências. Eles sugerem, estimulam, provocam e intensificam pensamentos e desejos. Mas há uma questão fundamental: o obsessor pode influenciar, mas não substi...

Precursores da Doutrina Cristã

                           

A ciência e a religião são alavancadas pela inteligência humana: a ciência revela as leis materiais, e a religião, as leis morais. O aparente conflito entre elas resulta de falhas de observação e de exclusivismo de ambos. Por séculos, ciência e religião distanciaram-se, com a religião representando o saber divino e a ciência, o saber terreno, embora possam coexistir e se harmonizar na busca pela verdade.

Com a queda do Império Romano, o Cristianismo se expande e busca aliar fé e razão, como exemplificado por Santo Agostinho, que conciliou o Cristianismo com a filosofia de Platão na Idade Média. No século XVIII, o Iluminismo valoriza a razão humana, substituindo explicações religiosas por fundamentos na lei natural e na racionalidade. No século XIX, o Espiritismo surge unindo fé e razão, concretizando a integração entre religião e ciência.

Ciência e religião, até então, divergiam por seus pontos de vista exclusivos. A união entre ambos é possível por meio do conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo material, leis imutáveis, assim como as que governam os astros e a vida.

O Espiritismo chegou em momento oportuno, unindo ciência e religião ao fundamentar o ideal religioso em bases científicas. Assim como uma religião não pode ignorar os fatos comprovados pela ciência, esta também não pode desconsiderar a realidade espiritual. É chegada a hora da ciência superar o materialismo e da religião reconhecer as leis naturais, permitindo que ambos se apoiem mutuamente e avancem.

Aproxima-se uma nova era para a humanidade, marcada por uma revolução moral que terá origem na Civilização do Espírito no terceiro milênio. A ciência será guiada por interesses morais, enquanto a religião se fortalecerá com base na fenomenologia científica e na razão filosófica, unindo progresso intelectual e espiritual.

Os princípios dessa revolução moral remontam à Antiguidade Clássica, quando Sócrates e Platão estabeleceram os fundamentos que sustentaram a transformação espiritual da humanidade. Suas ideias serviram de guia para a construção do Reino de Deus entre os homens, promovendo valores éticos e universais.

Allan Kardec explica, em O Evangelho Segundo o Espiritismo , que grandes ideias não surgem de forma abrupta, mas gradualmente, com a contribuição de precursores que preparam o terreno para sua facilidade. As ideias cristãs, por exemplo, não foram introduzidas de forma repentina por Jesus; elas já eram pressentidas antes de séculos. Sócrates e Platão desempenharam papéis fundamentais nesse processo, antecipando conceitos morais e espirituais que ressoariam com os ensinamentos de Cristo.

Sócrates, com seu método de questionamento e busca pela verdade interior, e Platão, com sua visão sobre o mundo das ideias e a imortalidade da alma, estabeleceram fundamentos que influenciaram diretamente a ética e a espiritualidade ocidental. Esses filósofos plantaram as sementes do que seria o Reino de Deus na Terra, promovendo valores como a virtude, a justiça e o amor ao próximo.

 Jesus Cristo e Sócrates pediu a comentários à morte por desafiar as opiniões e os valores tradicionais de sua época. Ambos questionaram as estruturas condicionais, propondo uma moralidade baseada na virtude, na verdade e no aperfeiçoamento interior, em contraste com os formalismos e valores superficiais do mundo.

Sócrates foi acusado de corromper a juventude e de introduzir novas propostas ao incentivo o pensamento crítico e a busca pelo autoconhecimento, desafiando as opiniões e os costumes atenienses. De forma semelhante, Jesus foi acusado pelos fariseus de subverter o povo com ensinamentos que confrontavam as práticas religiosas da época, promovendo o amor, o perdão e a espiritualidade verdadeira.

Ambos, com suas vidas e mortes, deixaram legados que transcendem o tempo, convidando a humanidade a refletir sobre a importância da virtude, do questionamento das aparências e da busca pelo que é eterno e essencial.

Platão é, sem dúvida, uma das figuras mais influentes da filosofia, destacando-se tanto pela sua primazia temporal quanto pela profundidade e relevância de seus ensinamentos. Ele é um dos primeiros a propor que o verdadeiro conhecimento não está no mundo material, mas em uma realidade superior e imaterial. Através de suas ideias sobre as Ideias ou Formas, Platão sugere que a verdadeira essência das coisas só pode ser alcançada em uma esfera além do mundo físico, um reino eterno e imutável.

Platão ensina que a verdadeira felicidade não está nos prazeres mundanos, como honras, riquezas ou satisfações físicas, mas na busca pela sabedoria, pela virtude e pelo autoconhecimento. A renúncia aos bem.

Sua filosofia promove uma visão do mundo em que os ideais espirituais e intelectuais são mais importantes do que as conquistas temporais, e essa concepção transcendente da vida foi um marco no pensamento ocidental, influenciando profundamente a moralidade, a ética e a busca por um propósito maior.

Sócrates e Platão, pensadores fundamentais da Antiguidade, anteciparam muitos princípios que mais tarde foram desenvolvidos pelo Cristianismo e pelo Espiritismo. Suas ideias filosóficas abordam conceitos como a pré-existência da alma, a pluralidade das existências, a comunicação entre o mundo espiritual e material, e o amor como lei universal. Eis como esses temas são tratados em suas obras:

1. Pré-existência da alma

Platão, no diálogo Fédon , argumenta que a alma existia antes do corpo e que sua união com este é temporário:

  • “A alma é mais semelhante ao que é imortal, divino, e sempre igual a si mesmo, enquanto o corpo é mais semelhante ao que é mortal e sujeito à mudança” ( Fédon 79d).
  • “Conhecer é gravar. Quando vemos algo e somos levados a pensar em outra coisa, é porque já temos ciência dessa ideia antes” ( Mênon 81c-d).
    Essas reflexões coincidem com o princípio espírita de que a alma tem uma existência anterior e carrega a lembrança inconsciente de sua origem divina.

2. Pluralidade das existências

Platão, ainda no Fédon , descreve o retorno das almas a novas vidas como uma consequência de sua impureza:

  • “A alma que se encontra impura e tem ainda apego ao corpo vagueia neste mundo até que seja novamente atraída a um corpo” ( Fédon 81e).
  • “As almas têm que passar por diversas existências até se tornarem puras e voltarem ao mundo ideal” ( República 617d).
    Essa concepção está em harmonia com a reencarnação, onde as almas evoluem através de sucessivas existências.

3. Comunicação entre o mundo espiritual e material

Sócrates referiu-se frequentemente ao seu daimonion , um Espírito ou voz interior que o guiava:

  • “Este sinal divino que em mim há não me impele nunca a agir, mas sempre me detém quando estou para fazer algo errado” ( Apologia de Sócrates 31d).
    Platão, no Banquete , reforça a ideia dos demônios (Espíritos) como mediadores:
  • “Tudo o que é espiritual não está no meio entre o divino e o mortal. (...) Deus não se comunica diretamente com o homem, mas por meio desses seres espirituais” ( Baquete 202e).
    Essa visão é compatível com o Espiritismo, que ensina que a comunicação divina ocorre por meio dos Espíritos elevados.

4. O amor como lei universal

No Banquete , Platão explora o conceito do amor como força transcendental:

  • “O amor é o desejo de alcançar o que nos falta, aquilo que é belo e eterno” ( Banquete 206b).
  • “Amar é ascender a uma visão do bem universal, deixando de lado as paixões inferiores” ( Banquete 210a-d).
    Essa concepção de amor como uma força que eleva o ser humano ao divino é paralelamente ao ensinamento cristão e espírita de que o amor é a lei suprema que governa a criação.

Essas instruções mostram que Sócrates e Platão, movidos por suas intuições e filosofias, anteciparam grandes verdades que seriam aprofundadas pelo Cristianismo e mais tarde pelo Espiritismo. Suas ideias revelam que conceitos fundamentais da espiritualidade não surgiram de forma abrupta, mas foram desvendados gradativamente pelos Espíritos superiores, de acordo com a capacidade de compreensão da Humanidade.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo 

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