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Inveja na Mediunidade: Como Esse Sentimento Prejudica os Médiuns Segundo o Espiritismo

A inveja, à luz do Espiritismo, é um dos sentimentos mais corrosivos da alma humana, não apenas pelos efeitos que produz no íntimo daquele que a alimenta, mas também pelas consequências espirituais que gera nas relações e no progresso do Espírito. Definida como o desgosto ou mortificação diante da felicidade, das conquistas ou das qualidades alheias, acompanhada do desejo de possuir o que o outro tem, a inveja revela uma profunda imaturidade espiritual. Não é à toa que o ditado popular afirma: “o invejoso emagrece com a engorda dos outros”. Trata-se de uma imagem forte, mas extremamente fiel à realidade íntima de quem vive comparando-se e sofrendo pelo bem alheio.

Dentro do contexto espírita, esse sentimento ganha contornos ainda mais sérios, pois está diretamente ligado ao orgulho e ao egoísmo — duas das maiores chagas morais apontadas pela Doutrina. A inveja é, portanto, um sentimento antagônico ao amor. Onde ela existe, o amor não floresce plenamente. E sem amor, não há verdadeira felicidade, nem progresso espiritual consistente.

Mesmo aqueles que conviveram diretamente com Jesus não estiveram imunes a essa imperfeição. O Evangelho nos traz o episódio em que João impede um homem de expulsar espíritos em nome do Cristo simplesmente porque ele não fazia parte do grupo dos apóstolos (Lucas 9:49). Em outro momento, conforme narrado por Marcos, percebe-se que entre os próprios discípulos havia disputas veladas sobre quem seria o maior. Esses registros mostram que a inveja não é um problema superficial ou moderno, mas uma tendência humana profunda, que atravessa séculos e experiências espirituais.

Quando transportamos essa reflexão para dentro das casas espíritas, o tema se torna ainda mais delicado e necessário. A mediunidade, sendo uma faculdade sagrada, concedida por Deus como instrumento de serviço e caridade, deveria ser campo de união, humildade e fraternidade. No entanto, não raras vezes, torna-se terreno de comparações, disputas silenciosas e, infelizmente, inveja.

Há médiuns que, ao observarem o desenvolvimento mediúnico de outros companheiros — seja na psicografia, na psicofonia, na vidência ou em qualquer outra forma —, sentem-se diminuídos ou incomodados. Em vez de se alegrarem pelo progresso do outro e reconhecerem a sabedoria divina na distribuição dos dons, permitem que o coração se contamine por esse sentimento inferior. E isso gera consequências sérias.

Primeiramente, a inveja bloqueia o próprio desenvolvimento mediúnico. Conforme ensina o Espiritismo, a mediunidade está profundamente ligada ao estado moral do médium. Um coração invejoso não vibra em sintonia com os bons Espíritos. Como esclarece “O Livro dos Médiuns”, entre os defeitos morais que afastam a assistência espiritual elevada está justamente a inveja. Isso ocorre porque os bons Espíritos se aproximam pela afinidade moral, e sentimentos como orgulho, egoísmo e inveja criam barreiras vibratórias.

Allan Kardec, na Revista Espírita, reforça essa ideia ao afirmar que um médium invejoso atrai Espíritos compatíveis com suas imperfeições, prejudicando a qualidade das comunicações. Ou seja, não se trata apenas de um problema emocional ou comportamental, mas de uma questão espiritual profunda, que compromete a seriedade do trabalho mediúnico.

Além disso, a inveja pode prejudicar o ambiente coletivo. Em muitas casas espíritas, médiuns mais desenvolvidos acabam, inconscientemente, se retraindo para evitar constrangimentos ou tensões com outros companheiros. Isso é extremamente grave, pois impede que o trabalho espiritual alcance seu pleno potencial. O progresso de um médium nunca deveria ser motivo de desconforto, mas sim de inspiração para os demais.

A comunicação do Espírito Luos, publicada na Revista Espírita de 1861, é extremamente esclarecedora nesse sentido. Ele alerta que a inveja no médium é tão temível quanto o orgulho, pois revela a ausência de humildade. E lembra que o médium não deve atribuir mérito a si mesmo, pois é apenas instrumento de Deus. Quando essa consciência falta, surgem a vaidade e a comparação — terreno fértil para a inveja.

Mas como combater esse sentimento?

O primeiro passo é o autoconhecimento sincero. É necessário reconhecer a inveja dentro de si, sem máscaras ou justificativas. Muitas vezes, ela se apresenta de forma sutil, disfarçada de crítica, indiferença ou até desvalorização do outro. Identificar esses sinais é fundamental.

O segundo passo é desenvolver a humildade. Compreender que cada Espírito está em um grau de evolução e possui tarefas específicas. Deus não distribui dons ao acaso. Se alguém recebeu determinada faculdade ou destaque, há um propósito nisso. Como ensina o Espírito Luos, se Deus dá mais a uns e menos a outros, há uma razão justa e sábia.

Outro ponto essencial é substituir a inveja pela admiração. Em vez de sofrer pelo sucesso alheio, o médium deve aprender a se alegrar com ele. Isso eleva a vibração, aproxima dos bons Espíritos e cria um ambiente de fraternidade genuína.

Além disso, é importante fortalecer o estudo doutrinário. A compreensão profunda dos ensinamentos espíritas ajuda a diluir ilusões do ego e a enxergar a mediunidade como instrumento de serviço, não como título de valor pessoal.

Nas casas espíritas, cabe também aos dirigentes promoverem um ambiente de diálogo, esclarecimento e vigilância moral. A inveja, quando não tratada, pode se tornar um problema coletivo silencioso. Incentivar a união, valorizar o esforço de todos e reforçar constantemente os princípios da humildade e da caridade são atitudes fundamentais.

Por fim, a prática do bem é o maior antídoto contra a inveja. Quando o médium se ocupa verdadeiramente em servir, estudar e se melhorar, não há espaço interno para comparações destrutivas. O foco deixa de ser o outro e passa a ser o próprio crescimento espiritual.

A inveja, portanto, não é apenas um defeito a ser evitado, mas um verdadeiro obstáculo à evolução do Espírito. Combatê-la é um dever de todos, especialmente daqueles que receberam a responsabilidade da mediunidade. Afinal, como nos ensina a Escala Espírita em “O Livro dos Espíritos”, os bons Espíritos não experimentam inveja — e é justamente a esse estado que todos somos chamados a alcançar.

Estudo Relacionado: A INVEJA À LUZ DO ESPIRITISMO

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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