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DIA DE FINADOS NA VISÃO ESPÍIRTA: A VIDA CONTINUA, MAS A SAUDADE PERMANECE

Para nós, espíritas, o Dia de Finados não possui um significado especial em relação aos demais dias do ano. Não acreditamos que os Espíritos estejam presos aos cemitérios, aguardando uma visita ou uma homenagem diante de seus túmulos. Afinal, ali repousam apenas os restos mortais, o corpo que serviu de instrumento ao Espírito durante sua experiência na Terra. A vida verdadeira, aquela que transcende a matéria, continua em outra dimensão.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, nas questões 149 e 150, esclarece que, com a morte do corpo físico, o Espírito retorna ao mundo espiritual, conservando sua individualidade. Não deixamos de existir, não perdemos quem somos, não apagamos nossas lembranças nem os sentimentos que construímos. A morte não destrói os laços de amor, apenas modifica a maneira como nos relacionamos.

Na questão 321, Kardec pergunta se o Dia de Finados é especial para os Espíritos e se eles comparecem aos cemitérios. A resposta dos Espíritos é esclarecedora: eles atendem ao chamado do pensamento nesse dia, como em qualquer outro. Portanto, não é o túmulo que os atrai, mas o sentimento, a lembrança e o amor daqueles que os evocam.

Mas existe algo que precisamos dizer, especialmente neste dia: ser espírita não significa não sofrer com a morte de alguém que amamos.

Conhecer a imortalidade da alma não nos torna insensíveis à ausência. Saber que nossos amores continuam vivos no plano espiritual não significa que não sintamos sua falta aqui, na vida cotidiana, na nossa realidade física.

Porque a saudade é uma dor que atravessa a razão.

Sentimos falta da voz, do abraço, do sorriso, do olhar, do carinho, das conversas despretensiosas. Sentimos falta até das pequenas coisas que antes pareciam tão comuns. Nosso corpo também sente a ausência daquela presença física, do contato, da troca de afeto, da convivência e das sensações às quais estava habituado.

Há dias em que sonhamos com eles. Em outros, sentimos uma presença familiar, uma lembrança chega inesperadamente, uma música nos transporta para um tempo que não volta mais. E, embora saibamos que a vida continua, há momentos em que gostaríamos apenas de poder abraçá-los mais uma vez.

Porque nós também mudamos quando alguém que amamos parte.

Nunca mais somos exatamente os mesmos. Há um espaço que parece impossível de preencher. O riso, às vezes, perde a graça. Algumas alegrias ficam incompletas. Existem datas que machucam, lugares que evitamos e lembranças que nos fazem chorar mesmo depois de muitos anos.

E está tudo bem sentir isso!

A Doutrina Espírita não nos ensina a negar a dor, mas a compreendê-la. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V, ao tratar da perda de pessoas amadas, encontramos ensinamentos que nos convidam a ampliar nossa compreensão sobre a vida e a morte, sem desconsiderar o sofrimento daqueles que permanecem.

Também aprendemos que nossos pensamentos e sentimentos chegam aos Espíritos. Na questão 320 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se eles se sensibilizam quando aqueles que lhes foram queridos na Terra se lembram deles. A resposta é belíssima: essa lembrança aumenta a felicidade dos que são felizes e serve de alívio aos que se encontram em sofrimento.

Que ensinamento consolador! Nosso amor não se perdeu. Nossas preces, nossas lembranças e nossos bons pensamentos continuam sendo formas de carinho que ultrapassam as fronteiras da matéria.

Por isso, neste Dia de Finados, não precisamos necessariamente visitar um túmulo para homenagear quem partiu. Podemos fechar os olhos, elevar o pensamento, fazer uma prece, agradecer pela oportunidade de termos compartilhado uma existência e enviar-lhes todo o nosso amor.

E, principalmente, precisamos continuar vivendo.

Não por esquecer quem partiu, mas por honrar tudo aquilo que essa pessoa representou em nossa história. Se ainda estamos aqui, é porque nossa jornada não terminou. Ainda temos aprendizados, experiências, encontros, reparações, oportunidades de amar e muito trabalho a realizar.

Talvez hoje você esteja se sentindo sem rumo. Talvez ainda não tenha encontrado sentido para a vida depois daquela partida. Talvez exista uma saudade tão grande que pareça impossível seguir adiante.

Mas siga!

Permita-se chorar, sentir, lembrar e, aos poucos, voltar a sorrir. Não se culpe por viver momentos felizes. A felicidade que você encontrar pelo caminho não diminui o amor por quem partiu.

A vida continua para eles e continua para nós. Em planos diferentes, seguimos nossa caminhada, cada qual cumprindo suas experiências, sob a infinita misericórdia de Deus.

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Que a saudade nunca seja maior do que a esperança. Que a dor da ausência não apague a beleza da presença que um dia tivemos. E que o amor, esse sentimento que não conhece fronteiras nem se submete à morte, continue sendo a ponte que nos une.

Hoje, nossa homenagem é feita de saudade, gratidão, oração e amor.

Porque quem amamos nunca será apenas alguém que morreu. Será sempre alguém que viveu em nós e que, de alguma maneira, continuará fazendo parte de quem somos.

A morte encerra uma experiência física, mas não tem poder para sepultar o amor.

Paz e Bem!

Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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