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A evolução da alma animal segundo o Espiritismo: do princípio inteligente à consciência humana

  A evolução da alma é um dos temas mais profundos da Doutrina Espírita. Embora Allan Kardec não tenha desenvolvido uma teoria completa sobre todas as etapas da evolução do princípio inteligente antes da humanidade, ele deixou bases sólidas que foram ampliadas por estudiosos como Caibar Schutel, Léon Denis, Gabriel Delanne e por comunicações atribuídas ao Espírito de Verdade. A ideia central é simples e grandiosa: a vida não dá saltos . Tudo evolui segundo leis naturais, desde as manifestações mais rudimentares da existência até os mais elevados estados de consciência. Essa visão não diminui o ser humano; ao contrário, revela a imensidão da jornada percorrida por cada Espírito. O princípio inteligente e sua origem No Espiritismo, é importante distinguir o Espírito (com "E" maiúsculo), já individualizado e consciente de sua responsabilidade moral, do espírito (com "e" minúsculo), também chamado de princípio inteligente , princípio espiritual ou mônada espiritual ....

A Origem e a Evolução da Espécie Humana

A humanidade faz parte da história da Terra desde o momento em que as leis divinas permitiram o surgimento da vida humana. Segundo a Doutrina Espírita, o homem não apareceu por um acontecimento sobrenatural ou isolado, mas como consequência natural da evolução do planeta. É dessa ideia que nasce a interpretação simbólica da passagem bíblica segundo a qual o homem teria sido formado "do limo da terra", representando sua origem na matéria que compõe o mundo físico.

Não há como estabelecer com precisão quando surgiram os primeiros homens ou mesmo os demais seres vivos. Qualquer tentativa de definir datas absolutas permanece no campo das hipóteses. Da mesma forma, a humanidade não descende de um único casal. A figura de Adão, presente na tradição bíblica, é compreendida pelo Espiritismo como um personagem representativo de uma época da humanidade, e não como o primeiro homem que viveu na Terra. Allan Kardec explica que ele teria pertencido a uma das grandes famílias humanas surgidas após importantes transformações geológicas do planeta, tornando-se ancestral de um dos diversos povos que aqui se desenvolveram.

As diferenças observadas entre os povos, sejam físicas, culturais ou morais, não são resultado de privilégios ou inferioridades naturais. Elas refletem a influência do ambiente em que vivem, dos costumes adquiridos ao longo do tempo e, sobretudo, do grau de evolução espiritual alcançado por cada coletividade.

Matéria, vida e princípio vital

Toda a criação material é formada pela mesma matéria primordial, organizada pelas leis divinas em diferentes formas e combinações. É essa matéria que constitui tanto uma montanha quanto uma árvore, um animal ou o corpo humano.

O que diferencia os seres vivos dos corpos inertes é a atuação do chamado princípio vital. Ele não é o Espírito nem a própria vida, mas o elemento que permite à matéria organizar-se de forma orgânica e desempenhar suas funções vitais. É graças à ação desse princípio que um organismo nasce, cresce, se desenvolve e mantém suas atividades enquanto está encarnado.

Embora seja um princípio comum a todos os seres orgânicos, sua manifestação varia conforme a espécie e a complexidade do organismo. Quando ocorre a morte física, esse princípio deixa de atuar sobre o corpo e retorna ao fluido universal de onde provém, encerrando a vida orgânica daquele organismo.

Os reinos da natureza

A natureza pode ser observada sob dois aspectos: o material e o moral.

Do ponto de vista material, existem os seres orgânicos, que possuem vida, e os seres inorgânicos, que não apresentam atividade vital, embora também estejam submetidos às leis da natureza.

Sob o aspecto moral, a criação apresenta diferentes graus de desenvolvimento.

O reino mineral é constituído apenas de matéria, sem qualquer manifestação de vida.

O reino vegetal já apresenta vida orgânica, permitindo o nascimento, crescimento e reprodução das plantas. Entretanto, segundo o Espiritismo, elas não possuem consciência, pensamento ou percepção da dor.

O reino animal representa um avanço significativo. Além da vida orgânica, os animais possuem instinto, inteligência limitada às necessidades de conservação e certa consciência de sua própria existência.

O homem reúne em si todas as características dos reinos anteriores, mas distingue-se por possuir uma inteligência capaz de raciocinar, refletir, planejar o futuro, desenvolver valores morais e reconhecer a existência de Deus. Essa faculdade lhe permite transformar o mundo ao seu redor e escolher conscientemente o caminho de sua evolução.

Apesar disso, o ser humano ainda conserva em sua constituição biológica muitos impulsos herdados da vida animal. Sua grande missão consiste justamente em dominar esses instintos, colocando a inteligência e os sentimentos superiores a serviço do bem.

Os animais e sua caminhada evolutiva

A Doutrina Espírita reconhece que os animais também possuem um princípio inteligente. Eles aprendem, desenvolvem hábitos, comunicam-se entre si e demonstram diferentes formas de afeto e adaptação ao ambiente. Sua inteligência, entretanto, permanece restrita às necessidades da vida material, sendo guiada principalmente pelo instinto.

Embora possuam individualidade espiritual, sua condição ainda é muito diferente da do Espírito humano. Após a morte do corpo físico, conservam essa individualidade, mas não apresentam consciência moral nem capacidade de refletir sobre si mesmos da maneira que ocorre com o homem.

Os animais também progridem. Sua evolução, porém, segue leis diferentes das que regem a evolução humana. Eles avançam naturalmente, sem estarem submetidos às provas, expiações ou ao livre-arbítrio responsável que caracteriza o Espírito humano.

À medida que os mundos evoluem, também evoluem as espécies que neles habitam. Em planetas mais adiantados, os animais apresentam maior desenvolvimento de suas faculdades e formas mais complexas de comunicação. Ainda assim, continuam desempenhando funções compatíveis com sua natureza, colaborando com a harmonia da criação.

A dupla natureza do homem

O homem ocupa uma posição singular na criação porque reúne duas naturezas distintas.

Pelo corpo, participa da condição animal, sujeito às necessidades biológicas, aos instintos e às limitações da matéria.

Pelo Espírito, pertence ao mundo moral. É um ser consciente de si mesmo, capaz de distinguir o bem do mal, exercer o livre-arbítrio e construir, por meio de suas escolhas, o próprio destino.

Enquanto o Espírito permanece muito ligado à matéria, predominam as paixões, o egoísmo e os impulsos inferiores. Conforme avança moral e intelectualmente, essa influência diminui, permitindo que os sentimentos mais elevados orientem sua existência.

A evolução espiritual é justamente esse processo de libertação gradual da predominância da matéria. Ao longo de sucessivas reencarnações, o Espírito aprende, amadurece, corrige seus erros e amplia sua capacidade de amar, aproximando-se cada vez mais da perfeição relativa que Deus lhe reserva.

Por essa razão, a alma humana não retrocede para corpos de animais. Cada ser segue uma trajetória evolutiva compatível com sua própria natureza. O progresso do Espírito acontece sempre para frente, em uma jornada contínua de crescimento moral e intelectual, na qual cada existência representa mais uma oportunidade de aprendizado e aperfeiçoamento. 


Estudo Relacionado: Os Reinos da Natureza: Mineral, Vegetal, Animal e Hominal na Visão Espírita

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

Fonte de estudo

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
Questões 44 a 52, 60 a 67 e 585 a 606.

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