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Carnaval e o limite da loucura

O carnaval é uma das festas mais populares do mundo, especialmente no Brasil, onde assume proporções gigantescas, mobilizando multidões, alterando rotinas e influenciando profundamente o clima psíquico coletivo. Historicamente, suas raízes remontam às antigas festas pagãs da Antiguidade, como as saturnais romanas e celebrações ligadas aos ciclos agrícolas, marcadas pela inversão de valores, excessos e permissividade. Com o advento do cristianismo, a Igreja Católica incorporou a festividade ao seu calendário litúrgico, posicionando-a imediatamente antes da Quaresma — período de recolhimento, jejum e reflexão que antecede a Páscoa. O termo “carnaval” é frequentemente associado à expressão latina carne vale, que significa “adeus à carne”, simbolizando a despedida dos prazeres materiais antes da fase de disciplina espiritual.

Entretanto, ao longo dos séculos, aquilo que poderia ser apenas uma manifestação cultural assumiu características muito particulares, sobretudo no Brasil. Manoel Philomeno de Miranda, no livro Nas Fronteiras da Loucura,  psicografia de Divaldo Pereira Franco, analisa com profundidade o fenômeno espiritual que envolve o carnaval, descrevendo-o não apenas como um evento social, mas como um poderoso campo de intercâmbio vibratório entre encarnados e desencarnados.

Segundo o autor espiritual, o carnaval, tal como vivenciado em muitos ambientes, transforma-se em verdadeiro laboratório de perturbações psíquicas. A liberação desenfreada dos instintos, o abuso da bebida alcoólica, o uso de substâncias entorpecentes, a erotização exacerbada, as fantasias grotescas e, por vezes, aterrorizantes, criam um cenário propício à sintonia com entidades espirituais inferiores. Não se trata de condenação moralista, mas de uma análise vibratória: onde predominam pensamentos e atitudes descontroladas, ali se estabelece a sintonia com Espíritos que se comprazem nessas mesmas faixas de frequência.

O que está em jogo, portanto, é a questão da vibração.

Toda criatura humana emite ondas mentais. Pensamentos, emoções e desejos estruturam campos energéticos que se interligam, formando correntes coletivas. Quando milhões de pessoas, simultaneamente, direcionam suas energias para o prazer imediato, para o desregramento e para a fuga da responsabilidade, cria-se uma psicosfera densa que paira sobre as cidades. Manoel Philomeno descreve verdadeiros cinturões vibratórios envolvendo determinadas regiões durante o carnaval, compostos por formas-pensamento inferiores, miasmas psíquicos e intensa movimentação de Espíritos perturbados.

A evocação constante da bebida alcoólica, por exemplo, não é apenas um hábito social. O álcool, ao alterar o campo vibratório do perispírito, fragiliza as defesas psíquicas, tornando o indivíduo mais vulnerável à influência externa. Espíritos viciados, que ainda conservam o desejo das sensações físicas, aproximam-se dos encarnados embriagados, buscando partilhar das impressões sensoriais. O mesmo ocorre com as drogas, cuja utilização amplia as fissuras na estrutura psíquica, facilitando processos obsessivos.

As indumentárias extravagantes e, muitas vezes, grotescas, também não são neutras do ponto de vista espiritual. Fantasias que evocam figuras sombrias, criaturas infernais ou símbolos de violência funcionam como imãs mentais, atraindo entidades que se identificam com tais representações. O ambiente coletivo, saturado de música estridente, sensualidade exacerbada e comportamentos impulsivos, converte-se, em determinadas circunstâncias, em verdadeiro “mar de vibrações densas”.

É importante compreender que, na visão espírita apresentada por Manoel Philomeno de Miranda, não se trata de afirmar que toda manifestação carnavalesca seja negativa ou que toda pessoa que participe esteja automaticamente sob influência espiritual inferior. A questão central é a sintonia. Cada Espírito encarnado ou desencarnado busca afinidade. Onde há elevação moral, equilíbrio e respeito, a vibração se modifica. Porém, quando predominam excessos e irresponsabilidade, estabelece-se o intercâmbio com entidades que ainda se comprazem na perturbação.

No Brasil, onde o carnaval é preparado durante meses e celebrado com intensidade incomum, forma-se uma expectativa coletiva que começa muito antes dos dias oficiais da festa. Essa expectativa já altera o clima psíquico. Programações, ensaios, fantasias, consumo antecipado de álcool e a constante divulgação midiática criam uma atmosfera mental que vai se adensando. Espíritos inferiores, conhecedores da fragilidade humana, aproveitam-se desse período para estimular desarmonias, conflitos, acidentes e paixões violentas.

Manoel Philomeno descreve equipes espirituais superiores trabalhando intensamente nesses dias, socorrendo vítimas de abusos, prevenindo tragédias maiores e amparando aqueles que se arrependem dos excessos cometidos. Ao mesmo tempo, revela a atuação organizada de Espíritos perturbadores que se agrupam em verdadeiras falanges, explorando as brechas emocionais dos encarnados.

Diante desse quadro, como deve proceder o espírita?

A Doutrina Espírita não impõe proibições exteriores, mas convida à responsabilidade interior. Cada indivíduo é livre para fazer suas escolhas, mas colhe inevitavelmente as consequências vibratórias delas decorrentes. Proteger-se das influências negativas do carnaval começa pelo autoconhecimento. É necessário perguntar a si mesmo: qual é a minha intenção? Que tipo de ambiente estou buscando? Com que pensamentos estou me alimentando?

A vigilância mental é o primeiro recurso. Manter pensamentos elevados, cultivar a oração, evitar ambientes sabidamente desregrados e não se deixar arrastar pelo comportamento coletivo são atitudes essenciais. O Evangelho no Lar, intensificado nesse período, cria um campo de proteção espiritual no ambiente doméstico. A leitura edificante, a prática da caridade e o recolhimento voluntário funcionam como verdadeiros antídotos às vibrações densas.

Outro ponto fundamental é o equilíbrio. Nem repressão neurótica, nem permissividade inconsequente. A alegria saudável, a convivência fraterna e a manifestação cultural respeitosa não produzem desequilíbrios espirituais quando vividas com consciência. O problema reside no limite ultrapassado — no “limite da loucura”, quando o ser humano abdica temporariamente da razão e se entrega aos impulsos primitivos.

O carnaval, assim, torna-se um teste coletivo de maturidade espiritual. Ele revela o nível moral de uma sociedade e evidencia o quanto ainda somos vulneráveis às paixões inferiores. Porém, também oferece oportunidade de escolha: podemos sintonizar com as faixas densas ou elevar o padrão vibratório, contribuindo para que a psicosfera do país se torne mais leve.

Em última análise, como ensina Manoel Philomeno de Miranda, não são os dias do calendário que determinam nossa condição espiritual, mas o estado íntimo que cultivamos. Se mantivermos a mente em harmonia, o coração em paz e as atitudes pautadas pelo respeito, nenhuma festa, por mais intensa que seja, terá poder de nos arrastar para além do equilíbrio. O verdadeiro carnaval — o da alma — acontece quando permitimos que os instintos governem a razão. E o verdadeiro triunfo espiritual ocorre quando, mesmo diante do tumulto coletivo, escolhemos permanecer lúcidos, conscientes e fiéis à nossa própria elevação.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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