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Joanna de Ângelis: As Encarnações da Mentora Espiritual de Divaldo Franco

A trajetória espiritual de   Joanna de Ângelis   é uma das mais fascinantes da literatura espírita contemporânea. Diferentemente de muitos Espíritos que permanecem quase anônimos quanto ao próprio passado, Joanna permitiu que fragmentos de suas experiências reencarnatórias fossem conhecidos através das obras psicografadas por   Divaldo Pereira Franco , especialmente nos livros   A Veneranda Joanna de Ângelis   de Divaldo Franco e Celeste Carneiro e   Joanna e Jesus – Uma História de Amor , escrito por Divaldo Franco em parceria com Cezar Braga Said. Essas obras revelam não apenas nomes históricos, mas uma verdadeira linha evolutiva de um Espírito profundamente comprometido com o Cristo ao longo dos séculos. Uma das existências mais marcantes atribuídas a Joanna teria sido a de  Flávia Lentulus , filha do senador romano Públio Lentulus Cornelius, personagem central do romance  Há Dois Mil Anos , psicografado por  Francisco Cândido Xavier ...

Oração e Jejum – o jejum das paixões, dos vícios, de tudo o que é sombra em nós e ao redor de nós

                        

Falar de oração e jejum é adentrar um dos ensinamentos mais profundos do Cristo, cuja vivência ultrapassa a formalidade religiosa e se transforma em verdadeiro programa de renovação interior. Na visão espírita, à luz da Codificação de Allan Kardec, esses dois elementos não constituem rituais exteriores destinados a impressionar a Divindade, mas instrumentos de transformação moral, de disciplina da alma e de sintonia com os planos superiores da vida.

A oração, antes de tudo, é diálogo. É o momento em que abrimos o coração ao Pai Maior, expondo nossas fragilidades, agradecendo as bênçãos recebidas e rogando forças para vencer as provas. Não se trata apenas da prece espontânea — embora esta seja preciosa e profundamente necessária —, mas também das orações tradicionais que, repetidas com consciência e sentimento, tornam-se verdadeiras chaves vibratórias.

O Pai-Nosso, ensinado pelo próprio Cristo, é síntese sublime de humildade, confiança e compromisso. Ao dizer “seja feita a vossa vontade”, declaramos disposição de aceitar os desígnios divinos; ao pedir “perdoai as nossas dívidas”, assumimos a necessidade de perdoar também. Cada frase é um convite à reforma íntima. Já a Ave-Maria, quando recitada com respeito e entendimento, eleva o pensamento à pureza, à docilidade e à confiança na intercessão dos bons Espíritos. Outras orações convencionais, consagradas pela tradição cristã, igualmente possuem força vibratória quando proferidas com fé e sinceridade. Não são fórmulas mágicas, mas recursos de concentração, alinhamento e disciplina mental.

Orar diariamente é necessidade espiritual. Assim como o corpo requer alimento, a alma necessita de recolhimento e elevação. A oração cria sintonia com os planos superiores; fortalece-nos para resistir aos embates e às investidas das trevas; ampara-nos nas horas de dúvida; pacifica-nos diante das dores. Para médiuns e trabalhadores espíritas, a oração é proteção indispensável. Ela estabelece o campo vibratório que possibilita o intercâmbio equilibrado com os benfeitores espirituais.

Contudo, o Mestre não recomendou apenas a oração, mas também o jejum. E aqui reside um ponto essencial. O verdadeiro jejum, segundo a Doutrina Espírita, não se resume à abstenção de alimentos. Ele representa, sobretudo, o jejum das paixões inferiores, dos vícios, dos impulsos desordenados, de tudo aquilo que alimenta a sombra em nós.

Jejuar é renunciar conscientemente ao que nos escraviza. É abster-se das tendências que nos arrastam para a inferioridade moral. É vigiar a palavra para não ferir; é conter o impulso da maledicência; é silenciar o orgulho; é dominar a cólera; é frear os excessos da carne que perturbam e afetam a alma. É dizer “não” ao prazer imediato quando ele compromete o equilíbrio espiritual.

Quando falamos, por exemplo, da necessidade de largar o álcool, não se trata de imposição arbitrária ou proibição religiosa. O Espiritismo não impõe regras exteriores; esclarece consciências. O álcool, assim como outros hábitos nocivos, pode abrir portas vibratórias perigosas, fragilizar o corpo, turvar a mente e facilitar influências espirituais inferiores. O abandono desses vícios é ato de amor-próprio e de responsabilidade espiritual. Não é medo de punição; é compreensão das consequências. O mesmo raciocínio se aplica a qualquer hábito que nos degrade, que nos aprisione, que nos afaste do bem.

Allan Kardec sempre orientou que todos — principalmente espíritas e médiuns — devem empenhar-se em inquebrantável esforço pela transformação moral. Não basta frequentar reuniões, estudar obras, conhecer conceitos. É imprescindível modificar-se, momento a momento, vencendo más tendências e incorporando à vivência o lema imortal: “fora da caridade não há salvação”. A caridade não é apenas esmola material; é compreensão, paciência, indulgência, serviço ao próximo.

O verdadeiro espírita é aquele que se preocupa com o semelhante e se sensibiliza com sua dor. É alguém que busca desligar-se dos interesses imediatistas do mundo, compreendendo que a vida física é etapa transitória. Mas para alcançar esse intento, urge viver o Espiritismo em sua essência. Como ensina Leon Denis: “não basta crer e saber, é necessário viver a nossa crença, isto é, fazer penetrar na prática cotidiana da vida os princípios superiores que adotamos”. Eis o jejum autêntico: viver coerentemente com aquilo que se aprende.

Quem realmente reconhece a necessidade do jejum das paixões sente, no âmago do ser, a batalha incessante entre sombra e luz. O passado, com seus condicionamentos difíceis de erradicar, confronta o presente, que se traduz em esperança de um futuro melhor. Essa luta é natural. Somos Espíritos em evolução. O importante não é a ausência de quedas, mas a persistência no esforço de levantar-se e continuar.

Para auxiliar o homem nessa jornada, surgiu o Consolador Prometido: o Espiritismo. Convencido das verdades que ele descortina, imbuído do desejo sincero e perseverante de superar a si mesmo, o indivíduo vai afastando-se gradualmente dos hábitos antigos, buscando ambientes onde se cultive conversação sadia e edificante, onde se trabalhe pelo bem, onde a fraternidade seja prática e não apenas discurso.

No livro Obsessão e Desobsessão, de Suely Caldas Schubert, encontramos esclarecimentos valiosos sobre a importância dessa transformação, especialmente para médiuns e trabalhadores das lides desobsessivas. Ela ressalta que aqueles que se dispõem à tarefa grandiosa da renovação moral terão ensejos maravilhosos de comungar com benfeitores espirituais, experimentando instantes de felicidade sublime que nenhum prazer terreno pode oferecer. Essa comunhão não é privilégio, mas consequência natural da sintonia.

O jejum recomendado pelo Mestre, quando compreendido em sua profundidade, é disciplina libertadora. Ele não nos é imposto como sacrifício exterior, mas como exercício consciente de autodomínio. Jejuar das paixões é vigiar pensamentos, educar sentimentos e transformar atitudes. É substituir o vício pelo equilíbrio, a impulsividade pela reflexão, a crítica pela compreensão, o egoísmo pelo serviço. Unido à oração — que nos coloca em sintonia com os planos superiores — esse esforço cria um campo vibratório saudável, indispensável para quem deseja servir nas tarefas espíritas, especialmente nas lides desobsessivas. Trata-se de preparação constante, de alinhamento interior, de compromisso silencioso com a própria melhoria.

Quando essa prática deixa de ser teoria e se torna vivência, inicia-se um processo profundo de regeneração. Cada pequena vitória sobre si mesmo representa avanço real na direção da luz. Não é transformação instantânea, mas construção paciente. À medida que o indivíduo se esforça por viver com coerência, ele percebe que a paz que brota da consciência tranquila supera qualquer prazer imediato que antes o dominava. É assim, pela soma dessas renúncias conscientes e dessas orações perseverantes, que se edificará a renovação humana. A mudança do mundo começa na intimidade de cada coração que decide jejuar do que obscurece a alma e orar para fortalecer o que há de divino dentro de si.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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