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Oração e Jejum – o jejum das paixões, dos vícios, de tudo o que é sombra em nós e ao redor de nós

                        

Falar de oração e jejum é adentrar um dos ensinamentos mais profundos do Cristo, cuja vivência ultrapassa a formalidade religiosa e se transforma em verdadeiro programa de renovação interior. Na visão espírita, à luz da Codificação de Allan Kardec, esses dois elementos não constituem rituais exteriores destinados a impressionar a Divindade, mas instrumentos de transformação moral, de disciplina da alma e de sintonia com os planos superiores da vida.

A oração, antes de tudo, é diálogo. É o momento em que abrimos o coração ao Pai Maior, expondo nossas fragilidades, agradecendo as bênçãos recebidas e rogando forças para vencer as provas. Não se trata apenas da prece espontânea — embora esta seja preciosa e profundamente necessária —, mas também das orações tradicionais que, repetidas com consciência e sentimento, tornam-se verdadeiras chaves vibratórias.

O Pai-Nosso, ensinado pelo próprio Cristo, é síntese sublime de humildade, confiança e compromisso. Ao dizer “seja feita a vossa vontade”, declaramos disposição de aceitar os desígnios divinos; ao pedir “perdoai as nossas dívidas”, assumimos a necessidade de perdoar também. Cada frase é um convite à reforma íntima. Já a Ave-Maria, quando recitada com respeito e entendimento, eleva o pensamento à pureza, à docilidade e à confiança na intercessão dos bons Espíritos. Outras orações convencionais, consagradas pela tradição cristã, igualmente possuem força vibratória quando proferidas com fé e sinceridade. Não são fórmulas mágicas, mas recursos de concentração, alinhamento e disciplina mental.

Orar diariamente é necessidade espiritual. Assim como o corpo requer alimento, a alma necessita de recolhimento e elevação. A oração cria sintonia com os planos superiores; fortalece-nos para resistir aos embates e às investidas das trevas; ampara-nos nas horas de dúvida; pacifica-nos diante das dores. Para médiuns e trabalhadores espíritas, a oração é proteção indispensável. Ela estabelece o campo vibratório que possibilita o intercâmbio equilibrado com os benfeitores espirituais.

Contudo, o Mestre não recomendou apenas a oração, mas também o jejum. E aqui reside um ponto essencial. O verdadeiro jejum, segundo a Doutrina Espírita, não se resume à abstenção de alimentos. Ele representa, sobretudo, o jejum das paixões inferiores, dos vícios, dos impulsos desordenados, de tudo aquilo que alimenta a sombra em nós.

Jejuar é renunciar conscientemente ao que nos escraviza. É abster-se das tendências que nos arrastam para a inferioridade moral. É vigiar a palavra para não ferir; é conter o impulso da maledicência; é silenciar o orgulho; é dominar a cólera; é frear os excessos da carne que perturbam e afetam a alma. É dizer “não” ao prazer imediato quando ele compromete o equilíbrio espiritual.

Quando falamos, por exemplo, da necessidade de largar o álcool, não se trata de imposição arbitrária ou proibição religiosa. O Espiritismo não impõe regras exteriores; esclarece consciências. O álcool, assim como outros hábitos nocivos, pode abrir portas vibratórias perigosas, fragilizar o corpo, turvar a mente e facilitar influências espirituais inferiores. O abandono desses vícios é ato de amor-próprio e de responsabilidade espiritual. Não é medo de punição; é compreensão das consequências. O mesmo raciocínio se aplica a qualquer hábito que nos degrade, que nos aprisione, que nos afaste do bem.

Allan Kardec sempre orientou que todos — principalmente espíritas e médiuns — devem empenhar-se em inquebrantável esforço pela transformação moral. Não basta frequentar reuniões, estudar obras, conhecer conceitos. É imprescindível modificar-se, momento a momento, vencendo más tendências e incorporando à vivência o lema imortal: “fora da caridade não há salvação”. A caridade não é apenas esmola material; é compreensão, paciência, indulgência, serviço ao próximo.

O verdadeiro espírita é aquele que se preocupa com o semelhante e se sensibiliza com sua dor. É alguém que busca desligar-se dos interesses imediatistas do mundo, compreendendo que a vida física é etapa transitória. Mas para alcançar esse intento, urge viver o Espiritismo em sua essência. Como ensina Leon Denis: “não basta crer e saber, é necessário viver a nossa crença, isto é, fazer penetrar na prática cotidiana da vida os princípios superiores que adotamos”. Eis o jejum autêntico: viver coerentemente com aquilo que se aprende.

Quem realmente reconhece a necessidade do jejum das paixões sente, no âmago do ser, a batalha incessante entre sombra e luz. O passado, com seus condicionamentos difíceis de erradicar, confronta o presente, que se traduz em esperança de um futuro melhor. Essa luta é natural. Somos Espíritos em evolução. O importante não é a ausência de quedas, mas a persistência no esforço de levantar-se e continuar.

Para auxiliar o homem nessa jornada, surgiu o Consolador Prometido: o Espiritismo. Convencido das verdades que ele descortina, imbuído do desejo sincero e perseverante de superar a si mesmo, o indivíduo vai afastando-se gradualmente dos hábitos antigos, buscando ambientes onde se cultive conversação sadia e edificante, onde se trabalhe pelo bem, onde a fraternidade seja prática e não apenas discurso.

No livro Obsessão e Desobsessão, de Suely Caldas Schubert, encontramos esclarecimentos valiosos sobre a importância dessa transformação, especialmente para médiuns e trabalhadores das lides desobsessivas. Ela ressalta que aqueles que se dispõem à tarefa grandiosa da renovação moral terão ensejos maravilhosos de comungar com benfeitores espirituais, experimentando instantes de felicidade sublime que nenhum prazer terreno pode oferecer. Essa comunhão não é privilégio, mas consequência natural da sintonia.

O jejum recomendado pelo Mestre, quando compreendido em sua profundidade, é disciplina libertadora. Ele não nos é imposto como sacrifício exterior, mas como exercício consciente de autodomínio. Jejuar das paixões é vigiar pensamentos, educar sentimentos e transformar atitudes. É substituir o vício pelo equilíbrio, a impulsividade pela reflexão, a crítica pela compreensão, o egoísmo pelo serviço. Unido à oração — que nos coloca em sintonia com os planos superiores — esse esforço cria um campo vibratório saudável, indispensável para quem deseja servir nas tarefas espíritas, especialmente nas lides desobsessivas. Trata-se de preparação constante, de alinhamento interior, de compromisso silencioso com a própria melhoria.

Quando essa prática deixa de ser teoria e se torna vivência, inicia-se um processo profundo de regeneração. Cada pequena vitória sobre si mesmo representa avanço real na direção da luz. Não é transformação instantânea, mas construção paciente. À medida que o indivíduo se esforça por viver com coerência, ele percebe que a paz que brota da consciência tranquila supera qualquer prazer imediato que antes o dominava. É assim, pela soma dessas renúncias conscientes e dessas orações perseverantes, que se edificará a renovação humana. A mudança do mundo começa na intimidade de cada coração que decide jejuar do que obscurece a alma e orar para fortalecer o que há de divino dentro de si.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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