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As Palavras de Jesus Não Passarão: A Visão do Espiritismo Sobre os Ensinamentos Eternos do Cristo

O céu e a Terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mateus 24:35)

Vivemos em uma época de mudanças rápidas. Costumes se transformam, tecnologias surgem e desaparecem, opiniões se alternam com a velocidade das redes sociais. O que ontem parecia definitivo, hoje é questionado; o que hoje é tendência, amanhã poderá ser esquecido. Em meio a tantas mudanças, a afirmação de Jesus ecoa através dos séculos com uma força impressionante: "as minhas palavras não passarão."

O que explica a permanência de seus ensinamentos após mais de dois mil anos? Como as palavras de um homem simples, sem poder político, sem exércitos, sem riqueza e sem prestígio acadêmico, continuam inspirando milhões de pessoas em todas as partes do mundo?

A resposta, à luz da Doutrina Espírita, está justamente na natureza divina e universal da mensagem do Cristo.

Em A Gênese, capítulo XV, item 63, Allan Kardec afirma que o maior milagre realizado por Jesus não foram as curas extraordinárias, a multiplicação dos pães ou o domínio sobre os elementos da natureza. O verdadeiro milagre foi outro:

"O maior dos milagres que Jesus fez, aquele que atesta verdadeiramente a sua superioridade, é a revolução que os seus ensinos operaram no mundo..."

Kardec chama nossa atenção para um fato extraordinário. Jesus nasceu pobre, em condições humildes, entre um povo pequeno e sem grande influência política, artística ou literária. Pregou durante apenas três anos. Foi incompreendido pelos próprios conterrâneos, perseguido, acusado de impostor e condenado à morte mais humilhante reservada aos criminosos de sua época.

Humanamente falando, tudo indicava que sua mensagem desapareceria com o tempo.

No entanto, aconteceu exatamente o contrário.

Os impérios que dominaram o mundo ruíram. Reis desapareceram. Filosofias outrora celebradas foram esquecidas. Civilizações poderosas tornaram-se capítulos da História. Entretanto, as palavras do Cristo permanecem vivas, inspirando consciências, transformando vidas e orientando corações.

Esse é o milagre apontado por Kardec.

Não um fenômeno destinado a impressionar os olhos, mas uma transformação silenciosa e profunda da humanidade.

Mas o que significa dizer que as palavras de Jesus não passarão?

Muitos interpretam essa afirmação como se cada costume social do século I devesse ser reproduzido literalmente. Outros, na direção oposta, afirmam que os ensinamentos do Cristo deveriam ser modificados para se adaptar às conveniências modernas.

A Doutrina Espírita oferece uma compreensão equilibrada.

Em A Gênese, capítulo XVII, item 26, Kardec explica que os ensinamentos verdadeiramente divinos possuem caráter eterno, porque se apoiam nas leis imutáveis de Deus. Podem receber esclarecimentos, aprofundamentos e novas interpretações à medida que a humanidade progride, mas seus princípios essenciais permanecem os mesmos, porque correspondem à verdade.

O amor não envelhece.

A caridade não sai de moda.

O perdão não perde seu valor.

A fraternidade não se torna ultrapassada.

A justiça temperada pela misericórdia jamais deixa de ser necessária.

É por isso que as palavras de Jesus atravessam os séculos sem perder atualidade. Elas falam à criança, ao jovem, ao adulto e ao idoso. Consolam o enlutado, orientam o trabalhador, fortalecem o doente e inspiram o estudioso. Adaptam-se às diferentes culturas porque se dirigem àquilo que existe de mais profundo no ser humano: o Espírito imortal.

Infelizmente, ainda hoje, os ensinamentos do Cristo continuam sendo mal interpretados. Alguns tentam utilizá-los para justificar intolerância; outros procuram moldá-los aos próprios interesses e paixões. Há quem diga que Jesus precisaria "atualizar" suas ideias para acompanhar os tempos modernos.

Contudo, o problema não está nos ensinamentos do Mestre, mas na dificuldade humana em vivê-los plenamente.

Jesus nunca ensinou o ódio, a violência ou a exclusão.

Ele ensinou o amor.

Ensinou a amar o próximo como a si mesmo.

Ensinou a fazer ao outro aquilo que gostaríamos que nos fosse feito.

Ensinou a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete.

Ensinou que os mansos herdarão a Terra e que os misericordiosos alcançarão misericórdia.

Essas lições permanecem atuais porque o coração humano continua enfrentando os mesmos desafios morais de todos os tempos: orgulho, egoísmo, vaidade, intolerância e desejo de domínio.

Talvez por isso, diante das dúvidas da vida, exista uma pergunta simples e profundamente transformadora:

"Como Jesus agiria nesta situação?"

Diante de um conflito familiar, como Ele responderia?

Diante de uma ofensa, qual seria sua atitude?

Diante do sofrimento alheio, permaneceria indiferente?

Diante das diferenças, escolheria condenar ou compreender?

Essa reflexão, tão simples quanto profunda, funciona como uma bússola moral segura. Quando sinceramente buscamos enxergar a vida pelos olhos do Cristo, nossas escolhas tendem a tornar-se mais humanas, mais justas e mais amorosas.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos recorda que o Cristo é o modelo mais perfeito que Deus ofereceu à humanidade para servir de guia e exemplo. Não apenas para admiração distante, mas para imitação possível, gradual e diária.

Isso não significa que o Evangelho proponha a omissão diante do mal ou a conivência com a injustiça. Quando Jesus nos convida ao perdão, não está pedindo que ignoremos os erros humanos ou fechemos os olhos para os sofrimentos causados pela violência, pela corrupção, pelos abusos e por toda forma de desrespeito à dignidade do próximo. A sociedade necessita das leis humanas, da responsabilidade e da justa aplicação das consequências aos que prejudicam o semelhante, pois esses mecanismos também cumprem uma função educativa e corretiva no progresso do Espírito. Contudo, mesmo quando a justiça se faz necessária, o discípulo do Cristo é chamado a agir sem ódio, sem desejo de vingança e sem desumanizar o faltoso, mantendo no coração o espírito de fraternidade, a esperança na regeneração e a compreensão de que todos somos Espíritos em processo de aperfeiçoamento.

As palavras de Jesus não passarão porque não pertencem a uma época específica. Elas pertencem à eternidade.

Enquanto houver dor, o amor será necessário.

Enquanto houver injustiça, a caridade será urgente.

Enquanto houver desentendimentos, o perdão continuará sendo libertador.

Enquanto existirem Espíritos em processo de aperfeiçoamento — e todos nós estamos nesse caminho — os ensinos do Cristo permanecerão atuais, vivos e indispensáveis.

O céu e a Terra passarão.

As modas passarão.

As ideologias passarão.

As opiniões humanas mudarão inúmeras vezes.

Mas a verdade expressa nas palavras de Jesus continuará iluminando consciências, convidando-nos à transformação interior e apontando o caminho seguro para a construção de um mundo melhor.

Porque aquilo que nasce do amor de Deus não envelhece.

E o Evangelho do Cristo continua sendo, ontem, hoje e sempre, a luz capaz de conduzir a humanidade em direção ao seu verdadeiro destino: a plenitude do Espírito através do amor.

Estudo Relacionado: A Humildade de Jesus e o Verdadeiro Reino que não é deste Mundo

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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