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Coragem na Visão Espírita: A Força Moral que Transforma Conflitos em Crescimento

A coragem é uma das virtudes mais nobres do espírito humano. No capítulo 18  do livro Conflitos Existenciais, da Série Psicológica de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco, somos convidados a compreender que a coragem não surge por acaso, nem é fruto exclusivo de impulsos momentâneos. Ela está radicada no cerne do ser, como conquista lenta e progressiva das experiências morais acumuladas ao longo das existências. Cada luta enfrentada, cada desafio superado, cada decisão tomada diante do medo foi sedimentando essa força íntima que hoje chamamos de coragem.

Sob a ótica espírita, a coragem não é apenas uma reação diante do perigo externo. Ela é, antes de tudo, uma bravura moral. É a capacidade de permanecer fiel ao dever reto, mesmo quando o caminho se mostra árduo. A benfeitora espiritual Joanna de Ângelis ressalta que o indivíduo precisa cultivar sentimentos elevados — responsabilidade, compromisso, ética, fidelidade aos valores espirituais — porque é nesse solo que a coragem floresce. Sem esses fundamentos, qualquer ato ousado pode não passar de imprudência ou impulsividade.

Na juventude, por exemplo, quando o indivíduo começa a libertar-se da proteção familiar e atravessa as fases da adolescência rumo à vida adulta, a coragem torna-se indispensável. É o momento de assumir responsabilidades, de fazer escolhas que terão consequências reais, de sustentar decisões sem a tutela constante do lar. Essa transição não é apenas social; é profundamente espiritual. É o espírito assumindo, cada vez mais, a autoria da própria história.

A autoconsciência desempenha papel essencial nesse processo. À medida que amadurecemos, percebemos que discernir é necessário para acertar; insistir é indispensável para alcançar êxito; trabalhar com afinco é condição para realizar os propósitos escolhidos. Coragem é também aceitar errar e repetir a experiência, perder a ingenuidade para adquirir maturidade, atravessar decepções que nascem das ilusões para compreender a realidade. É não se entregar à autocompaixão nem mergulhar na depressão quando algo não sai como planejado. O aparente fracasso, à luz da imortalidade, é apenas etapa pedagógica.

No capítulo 5 de O Evangelho segundo o Espiritismo, ao tratar dos aflitos, aprendemos que as dores e dificuldades têm finalidade educativa. A coragem, então, não é negação do sofrimento, mas postura consciente diante dele. Já no capítulo 9, que aborda a coragem e a fé, compreendemos que ambas caminham juntas: a fé raciocinada sustenta a coragem; a coragem ativa confirma a fé. Não se trata de esperar milagres, mas de agir com confiança, mesmo quando as circunstâncias parecem adversas.

Essa ideia encontra eco na Revista Espírita de 1865, quando Allan Kardec relaciona coragem e perseverança no esforço de melhoria pessoal. Não há transformação íntima sem persistência. Reformar-se exige enfrentar vícios, tendências inferiores, hábitos arraigados. Muitas vezes, o maior inimigo não está fora, mas dentro de nós. É preciso coragem para reconhecer imperfeições sem desespero e para trabalhar na própria renovação sem desistir diante das recaídas.

Interessante notar que a coragem não depende de posição social ou intelectual. Joanna observa que indivíduos simples, culturalmente considerados pequenos, podem revelar extraordinária força moral, enquanto pessoas de alta envergadura intelectual preferem sucumbir ao medo quando convidadas às decisões difíceis. Isso demonstra que coragem é patrimônio da alma, não do status.

No campo da saúde, essa verdade também se confirma. Há pacientes que enfrentam doenças devastadoras com serenidade e outros que, diante de males menores, se deixam arrastar pelo desespero. Nem sempre a diferença está na gravidade do problema, mas no equilíbrio moral. Conflitos emocionais intensificam dores e ampliam sofrimentos. Já a coragem moral acalma as reações orgânicas, impede que mágoa, revolta ou ódio se instalem, e favorece respostas mais equilibradas do organismo. Reconhecer-se vítima circunstancial, sem assumir postura de vitimização permanente, é atitude profundamente corajosa.

Coragem, portanto, não é agressividade, intemperança ou explosão emocional. Muitas dessas atitudes são, na verdade, reações do medo disfarçado. A verdadeira coragem é serena, firme e consciente. Ela não busca compensações externas. Mesmo diante da proximidade da morte do corpo, o homem e a mulher corajosos continuam trabalhando, oferecendo exemplos, deixando contribuições que iluminam os que seguem atrás.

Essa perspectiva dialoga com a mensagem do Espírito André Luiz, no livro Coragem, psicografado por Chico Xavier, no texto “Ajuda-te hoje”. Ele nos recorda a sabedoria antiga: “Ajuda-te que o Céu te ajudará”, acrescentando com lucidez: “Ajuda-te hoje, que o Céu te ajudará sempre”. A coragem começa no agora. Não é projeto distante, mas decisão presente.

"E é nesse ponto que vale a pena deter-nos na importância das horas de hoje:

Ontem, perturbação.
Hoje, reequilíbrio.
Ontem, o poder transviado.
Hoje, a subalternidade edificante.
Ontem, a ostentação.
Hoje, o anonimato.
Ontem, a incompreensão.
Hoje, o entendimento.
Ontem, o desperdício.
Hoje, a parcimônia.
Ontem, a ociosidade.
Hoje, a diligência.
Ontem, a sombra.
Hoje, a luz.
Ontem, o arrependimento.
Hoje, a reconstrução.
Ontem, a violência.
Hoje, a harmonia... Ontem, o ódio. Hoje, o amor."

Cada contraste revela que a coragem não está em negar o passado, mas em transformá-lo em alicerce para o presente. Aceitar o insucesso como experiência necessária para assegurar futura vitória é atitude que fortalece o espírito. Toda conquista tem um preço específico: disciplina, renúncia, esforço, perseverança.

Para os estudiosos da Doutrina Espírita, compreender a coragem como virtude evolutiva amplia nossa visão sobre as provas e expiações. Não estamos na Terra para fugir das lutas, mas para utilizá-las como instrumentos de crescimento. Nunca devemos nos acovardar diante dos enfrentamentos, pois são eles que estimulam o desenvolvimento espiritual. Possuímos reservas de força moral quase inconcebíveis, que se revelam quando somos desafiados.

Coragem é mais que destemor diante de perigos físicos. É conquista da autoconsciência, segurança nas próprias possibilidades, confiança nos recursos espirituais de que dispomos para prosseguir na conquista de nós mesmos. É olhar para dentro, reconhecer fragilidades e, ainda assim, decidir avançar.

Num mundo marcado por incertezas, crises e transformações rápidas, a coragem se torna virtude indispensável. Não a coragem barulhenta, que busca aplausos, mas a silenciosa, que trabalha todos os dias pela própria melhoria. A que escolhe o bem quando o mal parece mais fácil. A que perdoa quando seria simples revidar. A que insiste no ideal elevado quando muitos desistem.

Coragem é seguir, mesmo com medo. É confiar, mesmo sem garantias imediatas. É trabalhar hoje, ajudando a si mesmo, para que o Céu possa ajudar sempre.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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