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Sexo e Obsessão: quando o desejo abre portas para a influência espiritual

A obsessão raramente começa pela força. Muitas vezes, ela encontra uma porta que já estava entreaberta dentro de nós. Na visão espírita, os Espíritos que desejam perturbar um encarnado procuram, frequentemente, os pontos em que ele demonstra maior fragilidade. Quem apresenta forte apego ao dinheiro pode encontrar Espíritos interessados em alimentar a ambição, a desonestidade ou a corrupção. Quem cultiva a vaidade pode ser estimulado ao orgulho. Quem traz dificuldades relacionadas à agressividade pode receber sugestões que ampliem a irritação e o desejo de vingança. Com a sexualidade não é diferente. Quando o desejo sexual se transforma em desequilíbrio, compulsão, abuso, infidelidade, exploração ou instrumento de domínio sobre outra consciência, pode tornar-se campo favorável à influência de Espíritos que compartilham das mesmas tendências. Eles sugerem, estimulam, provocam e intensificam pensamentos e desejos. Mas há uma questão fundamental: o obsessor pode influenciar, mas não substi...

Entre o Orgulho e a humildade: a escolha que define destinos

No capítulo 7 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “Bem-aventurados os pobres de espírito”, encontramos um dos ensinamentos mais profundos e ao mesmo tempo mais mal compreendidos do Cristo. Quando Jesus declara: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, Ele não está exaltando a ignorância intelectual, nem incentivando a falta de esforço pelo conhecimento. Ao contrário, está nos convidando a refletir sobre a humildade — essa virtude silenciosa que sustenta todas as demais.

Ser “pobre de espírito” é ser simples de coração. É não se considerar acima de ninguém. É compreender que, diante de Deus, todos somos aprendizes em diferentes estágios da jornada evolutiva. A tendência humana, entretanto, é outra: é a de se crer acima de tudo e de todos. O orgulho é uma sombra que nos acompanha desde as experiências mais primitivas. Ele se manifesta quando acreditamos que sabemos mais, que somos melhores, que nossa dor é maior, que nossa opinião é superior. Muitas vezes ele se disfarça de firmeza, de liderança, de “personalidade forte”. Mas, no fundo, é apenas insegurança que busca se afirmar.

Jesus é claro ao afirmar que ninguém é admitido no Reino dos Céus sem simplicidade de coração e humildade de espírito. Isso significa que não é o título, não é a posição social, não é o conhecimento acumulado, nem mesmo a atuação religiosa que nos garante elevação espiritual. É o estado íntimo. É a disposição sincera de aprender, de reconhecer erros, de servir sem buscar aplausos.

“Quem se eleva será rebaixado; e quem se humilha será exaltado.” Essa lei moral é consequência natural da harmonia divina. O orgulhoso pode até ocupar temporariamente os primeiros lugares da Terra, mas interiormente permanece inquieto, insatisfeito e isolado. Vive comparando-se, competindo, defendendo-se. O humilde, por sua vez, não procura o primeiro lugar. Não precisa se impor. Ele sabe que cada experiência tem seu tempo e que Deus concede a cada um aquilo que é necessário para o seu progresso.

O ensinamento é direto: não procureis o primeiro lugar sobre a Terra, nem vos coloqueis acima dos outros, se não quereis ser obrigados a descer. Procurai ser mais humilde e mais modesto, porque Deus saberá vos dar um lugar mais elevado no Céu, se merecerdes. Essa frase contém uma verdade simples: a verdadeira elevação não é conquistada à força; é concedida pelo mérito moral. E o mérito nasce do trabalho silencioso, da disciplina íntima, da caridade sem exibicionismo.

Outro ponto profundo do capítulo é quando Jesus agradece ao Pai por ter ocultado os mistérios aos sábios e entendidos e revelado aos simples e ignorantes. Isso não significa desprezo pelo saber. Pelo contrário, significa que o conhecimento sem humildade se transforma em instrumento de vaidade. O saber que não se curva diante da verdade maior torna-se barreira. Já o coração simples, mesmo que não possua grande cultura, está aberto, receptivo, pronto para compreender o que realmente importa.

Nas instruções dos Espíritos, especialmente na mensagem sobre “O orgulho e a humildade”, vemos que o orgulho é a fonte de muitas quedas morais. Ele gera inveja, ressentimento, intolerância e divisão. O orgulhoso raramente reconhece seus próprios erros. Prefere apontar falhas alheias a admitir as próprias imperfeições. Quando contrariado, revolta-se. Quando não é reconhecido, sente-se injustiçado. Vive na expectativa de destaque.

A humildade, por outro lado, não é fraqueza. Não é submissão cega. Não é aceitar abusos ou se deixar manipular. A humildade verdadeira perdoa, sim — quantas vezes forem necessárias — mas não é ingenuidade. Perdoar não significa permitir que o outro continue errando às nossas custas. Significa libertar o coração do rancor, mantendo a consciência lúcida. O humilde não se coloca acima, mas também não se diminui de forma doentia. Ele sabe seu valor, mas entende que esse valor é dom de Deus e oportunidade de serviço.

Há uma diferença enorme entre humildade e passividade. A humildade é força moral equilibrada. É firmeza sem arrogância. É convicção sem desprezo. É capacidade de ensinar sem humilhar. O homem verdadeiramente humilde pode ocupar posições de liderança, pode ter grande inteligência, pode falar em público, pode orientar multidões — mas tudo isso com espírito de servidor.

O capítulo também nos convida a refletir sobre a missão do homem inteligente na Terra. A inteligência é ferramenta divina para o progresso coletivo. Porém, quanto maior a capacidade intelectual, maior a responsabilidade moral. Se o inteligente se deixa dominar pelo orgulho, torna-se instrumento de divisão. Se se reveste de humildade, transforma-se em farol para muitos. O verdadeiro sábio é aquele que compreende que ainda tem muito a aprender.

Quando Jesus pergunta: “Quem será o maior no Reino dos Céus?”, Ele responde colocando uma criança como exemplo. A criança simboliza a confiança, a simplicidade, a ausência de pretensão. Não se trata de infantilidade, mas de pureza de intenção. O maior no Reino dos Céus é aquele que serve mais, que ama mais, que se esquece mais de si em favor do bem.

Esse ensinamento é extremamente atual, inclusive dentro das casas espíritas. Não é raro encontrarmos trabalhadores e médiuns que, após certo tempo de atuação, deixam-se envolver pelo orgulho. Passam a acreditar que são indispensáveis, que possuem comunicação superior, que têm missão especial acima dos demais. O médium que se enche de vaidade começa, pouco a pouco, a perder a sintonia com os benfeitores espirituais. A mediunidade é instrumento sagrado, mas não pertence ao médium — é concessão divina para o serviço.

Quando o orgulho se instala, a espiritualidade superior naturalmente se afasta, não por punição, mas por incompatibilidade vibratória. O médium orgulhoso passa a agir por si mesmo, e não como instrumento. A consequência é o desequilíbrio, a perda da serenidade, e muitas vezes a queda moral. Já o médium humilde compreende que é apenas intermediário. Não se julga superior por servir; sente-se grato pela oportunidade.

As consequências do orgulho são isolamento, sofrimento íntimo e estagnação espiritual. Os benefícios da humildade são paz interior, abertura para o aprendizado, harmonia nos relacionamentos e crescimento contínuo. A humildade aproxima, une, fortalece equipes, inspira confiança. O orgulho separa, cria disputas, gera desconfiança.

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Humildade é reconhecer que todos estamos em processo. Que hoje podemos estar orientando e amanhã precisaremos ser orientados. Que erramos, aprendemos, recomeçamos. É compreender que ninguém é maior nem menor aos olhos de Deus — todos somos filhos amados em diferentes estágios.

Se quisermos realmente alcançar o Reino dos Céus — que começa dentro de nós — precisamos abandonar a necessidade de superioridade. Precisamos trocar o desejo de destaque pela alegria do serviço. Precisamos substituir a competição pela cooperação.

Ser humilde não é ser pequeno. É ser grande o suficiente para não precisar parecer maior do que ninguém. É confiar que Deus vê, sabe e recompensa no tempo certo. É caminhar com simplicidade de coração, sabendo que toda verdadeira elevação começa pelo abaixar-se interior diante da lei divina.

E, no fim, é lembrar que o lugar mais alto no Céu pertence àquele que, na Terra, escolheu amar e servir sem orgulho.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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