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Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
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Como lidar com pessoas que tentam nos tirar do sério segundo o Espiritismo
Conviver com quem insiste em nos tirar do sério é um dos maiores desafios da vida em sociedade. São pessoas que distorcem palavras, atribuem intenções que nunca tivemos, não assumem o que dizem ou fazem e colocam sempre no outro a culpa pela desarmonia que provocam. Criam conflitos, afastam pessoas, inflam discussões e, quando conseguem arrancar uma reação, invertem os papéis: acusam, rotulam e se colocam como vítimas.
À luz do Espiritismo, é importante compreender: isso não acontece por acaso.
Essas atitudes revelam Espíritos ainda presos ao egoísmo, ao orgulho e à dificuldade de enxergar além de si mesmos. Vivem suas próprias dores — muitas vezes reais —, mas são incapazes de perceber que o outro também luta, também sofre, também atravessa provas silenciosas. A dor delas é sempre maior, a verdade delas é sempre absoluta, o mundo deveria girar em torno de suas necessidades.
Quando alguém busca diálogo sincero, elas deturpam.
Quando alguém tenta alertar com amor, elas provocam.
Quando alguém se defende, elas acusam desequilíbrio.
É humano reagir.
O Espiritismo não nos pede que sejamos insensíveis. Somos Espíritos em aprendizado, ainda sujeitos à irritação, à tristeza e à indignação. O problema não está em sentir — está em alimentar o sentimento, em permanecer na vibração do conflito.
No livro Saúde, o Espírito Miramez ensina algo profundo e, ao mesmo tempo, extremamente prático:
o aborrecimento nasce da falta de tranquilidade de consciência.
O sábio não se agasta, e o Espírito que já compreendeu a vida não se irrita nem mesmo diante dos desencontros de ideias. Não porque seja superior, mas porque entendeu que perder a paz é sempre um prejuízo espiritual.
Miramez vai além e nos alerta que o aborrecimento não é apenas moral — ele é também físico. A irritação empobrece o sangue, desequilibra os nervos, dificulta a respiração e sobrecarrega órgãos importantes, espalhando no corpo energias desgastadas que adoecem o campo somático. Tudo isso pode nascer de algo aparentemente simples: uma invigilância, um impulso de orgulho ferido, vaidade contrariada, egoísmo ou ciúme não educado.
Quantas vezes não reagimos porque alguém tocou exatamente onde ainda dói?
Por isso, o ensinamento espírita é claro: fujamos da provocação e da maledicência. Não porque sejamos fracos, mas porque sabemos o valor do tempo que Deus nos concedeu para viver na fraternidade. Gastar esse tempo em discussões estéreis é desperdiçar oportunidade de crescimento.
Miramez também é direto ao afirmar que quem se melindra ao ter o orgulho ferido ou os próprios defeitos expostos, na verdade, ainda não quer se renovar. Fala de reforma íntima, mas vive apenas no discurso. Exalta valores elevados, mas se deixa conduzir pela indisciplina emocional. Convida os outros para o banquete da luz, enquanto, em silêncio, ainda se alimenta das sombras da irritação e do ressentimento.
Essas palavras não são acusação — são convite à lucidez.
Manter a paz diante de quem provoca não é negar a dor, nem fingir que nada acontece. É reconhecer o sentimento, cuidar dele e não permitir que o outro governe o nosso mundo interior. É colocar limites quando necessário. É silenciar quando a resposta só alimentaria o desequilíbrio. É orar não para justificar o erro alheio, mas para romper a sintonia que sustenta o conflito.
Orar por essas pessoas não é romantizar o mal.
É retirar delas o poder sobre nós.
É afirmar, com firmeza íntima: “Você não comanda a minha paz.”
No fim, o Espiritismo sempre nos conduz à mesma pergunta libertadora:
👉 O que isso ainda desperta em mim?
Porque o que já foi curado, não reage.
E o que ainda reage não merece culpa, mas cuidado, vigilância e educação espiritual.
Como ensina Miramez, quem aprende a virtude de nunca se agastar começa a ser feliz — e começa a ter saúde. Não a saúde perfeita dos Espíritos elevados, mas a saúde possível de quem escolhe viver com mais consciência, menos orgulho e mais paz. Ainda assim, é necessário reconhecer com verdade: muitas provocações são desumanas, atingem em cheio nossas fragilidades, nos tiram completamente do eixo emocional. Em muitos casos, há clara influência obsessiva, Espíritos que utilizam inúmeras ferramentas para ferir, confundir, humilhar e provocar reações. Diante de insultos reiterados, acusações injustas e ataques persistentes, é quase impossível permanecer totalmente impassível. O Espiritismo não nos ilude: às vezes, o aborrecimento acontece. O mérito não está em nunca sentir, mas em não se demorar na irritação, em não alimentar o ressentimento, em buscar rapidamente a recomposição íntima. Não devemos cultivar o agastamento, mas compreender que, em certos momentos, ele surge como reflexo da nossa humanidade ainda em aprendizado. O esforço real está em retornar à serenidade, refazer a sintonia e não permitir que a dor momentânea se transforme em estado permanente da alma.
Manter a serenidade, nesses casos, não é passividade.
É maturidade espiritual.
É reforma íntima em movimento.
É evolução acontecendo no silêncio do coração.
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