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Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
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Os Ovóides: a dor da fixação mental e o caminho da libertação
O Espírito molda o próprio perispírito pela força contínua do pensamento. Assim, quando a mente se cristaliza por longos períodos em sentimentos de ódio, vingança, culpa, remorso, apego doentio ou vícios degradantes, essa energia mental acaba por produzir alterações reais na estrutura do corpo espiritual. O Espírito, afastando-se progressivamente da forma humana, passa a apresentar aspecto ovalado, semelhante a um ovo — daí o nome ovóide.
Na obra “Libertação”, psicografada por Chico Xavier e ditada pelo Espírito André Luiz, somos conduzidos a cenas impactantes da vida espiritual inferior, onde aparecem espíritos reduzidos a essas formas embrionárias. Ali se descreve o quadro doloroso de entidades que, após longos séculos de ódio e desejo de vingança, perderam a organização perispiritual humana, tornando-se verdadeiros parasitas espirituais, ligados magneticamente às vítimas que elegem como alvo de perseguição. Não se trata de punição divina, mas de consequência natural da lei de causa e efeito, atuando sobre a mente que se recusa a evoluir.
Já em “Evolução em Dois Mundos”, André Luiz aprofunda a explicação científica-espiritual do fenômeno. Ele esclarece que inúmeros infelizes, obstinados na ideia de fazer justiça pelas próprias mãos ou dominados por apego vicioso, ao desencarnarem permanecem auto-hipnotizados por imagens mentais incessantemente repetidas. Essas imagens — de afeto possessivo, de desforço, de culpa ou de ódio — vão retraindo o perispírito pela falta de função evolutiva, causando enormes transformações na morfologia do veículo espiritual. O Espírito, sem renovação mental, entra em estado regressivo, assemelhando-se a um ovóide, e passa a se vincular magneticamente às próprias vítimas, que muitas vezes aceitam essa influência de modo mecânico.
Essa aceitação ocorre porque a ligação não é unilateral. Pensamentos de remorso tardio, ódio voraz, egoísmo exigente ou culpa persistente, alimentados no cérebro do encarnado, funcionam como ondas mentais incessantes que mantêm o vínculo obsessivo. O ovóide, fragilizado, passa a absorver essas energias, sobrevivendo como um parasita psíquico, ao mesmo tempo em que agrava o desequilíbrio daquele que o sustenta mentalmente.
No livro “Bastidores da Obsessão”, psicografado por Divaldo Franco e ditado por Manoel Philomeno de Miranda, observamos a ação direta dos ovóides sobre encarnados em processo obsessivo profundo. A obra descreve como essas entidades, muitas vezes inconscientes de sua própria condição, são utilizadas por obsessores mais lúcidos como instrumentos de perturbação, sendo arremessadas contra os centros de força das vítimas, especialmente o campo mental. Ali também se aborda a chamada “segunda morte”, quando, após longo período de estagnação, o Espírito necessita de intervenções espirituais complexas para reconstruir lentamente sua forma perispiritual e retomar o processo evolutivo.
Suely Caldas Schubert, na obra “Obsessão e Desobsessão”, esclarece que a transubstanciação do corpo espiritual em forma ovóide pode ocorrer em três situações principais. A primeira refere-se ao homem primitivo ou selvagem, que ainda não estruturou plenamente sua individualidade espiritual. A segunda envolve desencarnados portadores de profundos desequilíbrios mentais, decorrentes de paixões violentas, vícios ou sofrimento prolongado. A terceira situação diz respeito aos grandes criminosos e pervertidos que, ao desencarnarem, passam a reviver incessantemente as cenas do próprio crime, torturados pela visão repetida e constante de seus atos, mergulhando em estados de autopunição mental devastadores.
Esses quadros demonstram que o ovóide não é um “monstro”, mas um Espírito em extrema dor, aprisionado em si mesmo. Entretanto, obsessores inteligentes e cruéis se aproveitam dessa condição. Conforme analisado por J. Herculano Pires em “Vampirismo”, essas formas espirituais degeneradas podem ser utilizadas no vampirismo energético, sugando fluidos vitais de encarnados e desencarnados, ampliando processos obsessivos e adoecimentos físicos e psíquicos. O vampirismo espiritual está intimamente ligado à sintonia mental: ninguém é vítima passiva sem alguma correspondência vibratória.
Diante de ensinamentos tão sérios, a Doutrina Espírita nos convida à vigilância consciente. Somos o que pensamos. Nossas ideias constroem nossa realidade espiritual, hoje e após a desencarnação. Pensamentos persistentes criam formas, vínculos e caminhos. Por isso, a melhor proteção contra as diversas formas de obsessão está no cultivo da prece constante, da reforma íntima e da sintonia com o bem.
A prece não é simples pedido, mas ligação viva com Deus. É elevação do pensamento, harmonização vibratória, fortalecimento moral. Ao orarmos com sinceridade, modificamos nosso padrão mental e passamos a atrair companhias espirituais elevadas. Onde existe luz, a sombra se dissipa. Onde há perdão, o ódio não encontra abrigo. Onde há humildade, o orgulho perde força. Onde há prece constante, há sintonia com Deus e proteção espiritual que ampara, fortalece e ilumina o caminho.
A Doutrina Espírita nos ensina que ninguém está condenado eternamente. Mesmo os ovóides, por mais degradados que se encontrem, permanecem filhos de Deus, destinados à recuperação. O amor, paciente e sábio, sempre encontra caminhos de reconstrução. Cabe a nós, encarnados, escolher hoje os pensamentos que desejamos cultivar, lembrando que cada ideia repetida é um tijolo na edificação de nosso amanhã espiritual.
Pensar com amor, agir com responsabilidade e orar com constância não são apenas virtudes morais — são ações para proteção espiritual e de libertação da alma.
Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo
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