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O Poder das Palavras: sua força espiritual e as consequências que geram

                             As palavras nunca são neutras. No entendimento espírita, elas constituem forças vivas, carregadas de intenção, sentimento e direção. Cada palavra pronunciada é uma emissão de energia que se propaga no campo espiritual, alcançando o outro e retornando, inevitavelmente, ao próprio emissor. A literatura espírita nos ensina que a palavra não é apenas som articulado, mas pensamento exteriorizado. E o pensamento, como força criadora, modela realidades, influencia estados emocionais e estabelece vínculos vibratórios. Por isso, compreender o poder das palavras é assumir responsabilidade moral sobre aquilo que pensamos, dizemos e sustentamos intimamente. Nesse sentido, a palavra assume papel decisivo na construção do próprio destino espiritual. Cada expressão verbal reforça hábitos mentais, educa — ou deseduca — emoções e imprime registros sutis no perispírito. Ao longo do tempo, palavra...

A Missão nossa de cada dia

Não é raro que, em momentos de silêncio interior, nos perguntemos: qual é a minha missão na Terra? Sabemos, à luz da Doutrina Espírita, que ninguém reencarna ao acaso. Cada existência é fruto de um planejamento cuidadoso, elaborado no mundo espiritual, onde necessidades, provas, expiações e tarefas são combinadas com vistas ao nosso progresso e ao auxílio mútuo. Ainda assim, muitos de nós imaginam que essa missão deva ser algo grandioso, um feito extraordinário, uma realização que desperte aplausos e reconhecimento social. Esquecemo-nos, porém, de que, diante de Deus, o valor do bem não se mede pela aparência, mas pela intenção e pela fidelidade no dever.

Na maioria das vezes, nossa missão não se manifesta em grandes palcos, mas nos gestos simples do cotidiano: no lar, no trabalho, nas relações difíceis, nas renúncias silenciosas e no bem que fazemos sem testemunhas. É exatamente essa reflexão que o Espírito Irmão X, pela psicografia de Chico Xavier, nos oferece no capítulo 6 — “Missão” — do livro Luz Acima.

Ali encontramos o caso de Pacheco, espírito que, em desdobramento espiritual durante o sono do corpo físico — situação comum aos Espíritos encarnados —, foi conduzido a uma reunião de intercâmbio espiritual no plano invisível, antes de assumir plenamente seus compromissos na vida material. Nessa assembleia, um devotado benfeitor chamado Ricardo anuncia-lhe uma missão elevada: Pacheco renascera entre os homens para exercer um ministério superior, cultivando as bênçãos de Jesus, tornando-se claridade viva nas sombras do mundo.

A promessa encheu-lhe o coração de júbilo. Convencido de que trazia um mandato sublime, Pacheco passou a aguardar uma ordem direta do Céu. Aproximou-se da Doutrina Espírita, viu despontar-lhe a mediunidade, mas logo se mostrou constrangido diante do serviço constante do bem. O contato com os sofredores, com os aflitos, com os problemas morais que se repetem entre encarnados e desencarnados, parecia-lhe excessivamente banal para alguém que se acreditava destinado a algo “maior”.

Com o tempo, cansou-se. Em poucos meses apresentou profundo desânimo e, em apenas dois anos, afastou-se do grupo espírita, recolhendo-se à vida pacata junto à família, onde não enfrentava aborrecimentos — sua zona de conforto. Dizia respeitar o Espiritismo, mas afirmava que as criaturas o irritavam. Sentia-se diminuído por servir de medianeiro de conflitos, por consolar aflitos, por transmitir notícias simples de parentes desencarnados. Para ele, sua missão deveria ser mais nobre, mais elevada, mais visível.

Ao desencarnar, ansioso, perguntou aos companheiros espirituais sobre a missão que lhe fora confiada. A resposta foi dolorosa: ele havia fugido justamente da oportunidade de auxiliar os semelhantes — a missão que menosprezara. Desesperado, ouviu do amigo espiritual que teria de suportar as consequências do erro e aguardar, no porvir infinito, nova encarnação para reaprender o valor do serviço humilde.


Esse episódio nos ensina profundamente sobre a missão gloriosa da mediunidade. Ser médium não é privilégio, é responsabilidade. É servir sem cobrar, ajudar sem exigir reconhecimento, trabalhar sem alimentar vaidade ou orgulho. A mediunidade é instrumento de amor, nunca de exaltação pessoal. Quando usada com humildade, transforma; quando contaminada pelo ego, paralisa.

Entretanto, é essencial compreender que a missão não é exclusividade dos médiuns. Todos nós somos chamados ao bem. As missões se apresentam de múltiplas formas: no perdão difícil, no exemplo silencioso, na palavra que consola, no trabalho honesto, na renúncia diária, no esforço de melhorar o ambiente onde vivemos. Fazer o bem, onde estivermos, com os recursos que temos, já é cumprir a vontade do Pai.

Não podemos esquecer que as missões salvadoras da Terra, quase sempre, chegam vestidas de avental e macacão. Raramente brilham aos olhos do mundo. São tarefas simples, repetitivas, cansativas, mas profundamente transformadoras. Quem despreza o pequeno serviço dificilmente estará preparado para responsabilidades maiores.

Compreender essa realidade exige de nós vigilância constante sobre as próprias intenções. Não basta desejar servir; é preciso aceitar como o serviço se apresenta. Muitas vezes, a tarefa que pedimos a Deus vem disfarçada de rotina, de repetição, de pessoas difíceis e de situações que desafiam nossa paciência. É nesse ponto que o orgulho costuma nos enganar, fazendo-nos acreditar que fomos feitos para algo maior, quando, na verdade, o “maior” diante do Cristo é aprender a amar sem condições, a servir sem escolha e a permanecer fiéis ao bem mesmo quando ninguém aplaude.

A cólera nos afasta dessa compreensão. Ela nos cega, impede-nos de reconhecer o caminho do bem traçado antes da reencarnação e nos rouba a humildade. O desânimo, por sua vez, paralisa-nos. É preciso avançar com coragem, lembrando o apelo do Mestre aos homens de boa vontade: “Apascentai o meu rebanho.” O amor que doarmos às Suas ovelhas é a Ele mesmo que estaremos doando.

Almas aflitas aguardam nossos braços. Corações feridos esperam nossas palavras. A missão nossa de cada dia não está no extraordinário — está no bem que escolhemos fazer, hoje, agora, onde estamos.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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