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Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
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O fumo e o perispírito: reflexões espirituais sobre um hábito que ultrapassa o corpo
Ao longo da história humana, o fumo foi culturalmente associado ao prazer, à socialização e, por vezes, a símbolos de identidade. Contudo, à luz do Espiritismo, o hábito de fumar precisa ser analisado sob uma perspectiva mais profunda, que ultrapassa os limites do corpo físico e alcança as estruturas sutis do ser integral. Não se trata de condenar, rotular ou impor culpas, mas de esclarecer consciências, oferecendo subsídios para escolhas mais livres, responsáveis e alinhadas com a saúde do corpo e da alma.
Especialmente no início de um novo ano — quando tantos corações se voltam a propósitos de renovação íntima — essa reflexão torna-se ainda mais oportuna. Parar de fumar, para muitos, figura entre promessas silenciosas, acompanhadas de esperança e insegurança. O Espiritismo, com sua proposta consoladora e educativa, oferece elementos valiosos para compreender os efeitos visíveis e invisíveis do tabagismo, respeitando sempre o livre-arbítrio.
O perispírito como arquivo vivo da existência
Na obra Janelas para a Vida, organizada por Fernando Worm, com respostas de Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier, encontramos esclarecimentos de grande alcance sobre a interação entre corpo físico, perispírito e espírito. Emmanuel define o perispírito como “o agente intermediário das sensações externas”, explicando que tudo aquilo que fazemos, pensamos e sentimos fica nele registrado.
Após a morte do corpo físico, as sensações não desaparecem. Elas se generalizam no espírito, não permanecendo localizadas como na experiência orgânica, mas espalhando-se por todo o ser. Nesse contexto, Emmanuel esclarece que “o problema da dependência química continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório perispirítico”, processo que, na maioria das vezes, apresenta duração equivalente ao tempo em que o hábito persistiu na existência física.
Não se trata de punição, mas de um mecanismo educativo das leis naturais. Quando a vontade do interessado ainda não está suficientemente fortalecida para libertar-se do vício, o tratamento no plano espiritual exige cuidados específicos. Emmanuel revela que, em certos casos, há necessidade de “cotas diárias similares às do cigarro terrestre, cuja administração diminui gradativamente”, até que o espírito consiga viver sem qualquer dependência.
As sensações do fumante no mundo espiritual
Entre os esclarecimentos mais impactantes do livro, Emmanuel descreve as sensações do fumante inveterado após a desencarnação. Segundo ele, tais espíritos experimentam estados profundamente angustiosos, marcados por intensa carência dos recursos tóxicos aos quais se habituaram no plano físico, o que compromete suas percepções espirituais.
Essas sensações, afirma Emmanuel, acabam por “tornar o espírito cego às boas percepções que o mundo espiritual pode proporcionar”, dificultando sua adaptação e aprendizado nas esferas superiores. Além disso, a resistência orgânica decresce consideravelmente com o hábito de fumar, “favorecendo a instalação de moléstias que poderiam ser evitadas”, tanto no corpo quanto no perispírito.
Todo hábito prejudicial cria condições anômalas para o envoltório espiritual, impondo condicionamentos difíceis de erradicar. Emmanuel observa ainda que, muitas vezes, filhos e netos de fumantes inveterados são os mesmos espíritos afins que, em outras existências, compartilharam hábitos semelhantes. Daí o surgimento precoce de tendências compulsivas, reclamando trabalho persistente, educativo e amoroso de reeducação.
Vontade, responsabilidade e libertação
O Espiritismo não classifica o fumo como suicídio consciente. Emmanuel esclarece que se trata de um prejuízo que o indivíduo causa a si mesmo, sem intenção deliberada de autodestruição. Por isso, o tema deve ser estudado “com esclarecimento, sem condenação”, permitindo que cada pessoa compreenda as consequências do hábito e faça suas próprias escolhas.
No mundo espiritual, somos compelidos a esquecer hábitos prejudiciais se desejamos seguir adiante em nossa evolução. O tempo de tratamento está diretamente relacionado à vontade do espírito. Quando há decisão verdadeira, o processo de limpeza e recuperação ocorre de forma mais rápida. Já aqueles que se acomodam na indecisão e na insegurança podem reincidir, vinculando-se às zonas espirituais mais próximas da Terra.
“Conseguir esquecer o hábito de fumar é, realmente, uma vitória espiritual de alto alcance.”
— Emmanuel, em Janelas para a Vida
Emmanuel acrescenta que, nas civilizações mais evoluídas do universo, problemas como tabagismo, alcoolismo e toxicomania não existem, pois o espírito já aprendeu a não se escravizar aos prazeres que geram sofrimento e limitação.
Abnegação, liberdade e crescimento espiritual
Essa reflexão encontra profunda correspondência em O Livro dos Espíritos, especialmente nas questões 907 a 912, quando Allan Kardec aborda a abnegação dos prazeres materiais. Os Espíritos ensinam que o verdadeiro mérito não está na privação forçada, mas na capacidade de renunciar voluntariamente ao que nos faz mal, em favor de um bem maior.
Abandonar o fumo, sob essa ótica, não representa perda, mas libertação progressiva. É um exercício de domínio de si mesmo, um passo concreto rumo à verdadeira liberdade espiritual.
Um testemunho silencioso de transformação
Durante cerca de trinta anos, convivi pessoalmente com o fumo como hábito e dependência. A aproximação com o estudo sério da Doutrina Espírita modificou profundamente minha visão sobre a vida, o destino e a morte. O entendimento das leis de causa e efeito, especialmente no que se refere ao perispírito, levou-me a refletir sobre os danos visíveis e invisíveis que certos hábitos produzem.
Aos poucos, percebi que, quando nos aproximamos do bem, o bem se aproxima de nós, intuindo-nos ideias, fortalecendo-nos a vontade, oferecendo novos horizontes. O abandono do fumo não foi apenas físico; foi íntimo, gradual, consciente. E os sinais são claros: o próprio semblante de quem deixa o vício se transforma, como se a vida reencontrasse maior harmonia em suas expressões.
O livro e sua proposta esclarecedora
Janelas para a Vida é uma obra de perguntas e respostas em que Fernando Worm, dialogando com Emmanuel por intermédio de Chico Xavier, examina o panorama da existência humana sob a ótica espiritual. Temas como lei de ação e reação, fecundação, morte clínica, divórcio, tabagismo, suicídio, vida espiritual dos animais e vegetais, guerra e psicanálise são tratados com clareza, equilíbrio e profundidade, tornando o livro uma referência valiosa para quem busca compreender a vida além das aparências.
Ao final, permanece atual e necessário o conselho simples e profundo de Chico Xavier:
“A prece e o trabalho, em meu entendimento, são sempre os melhores recursos para defender-nos contra o desequilíbrio.”
Que este novo ano seja, para muitos, não apenas uma mudança de calendário, mas uma janela aberta à renovação consciente, onde cada pequeno passo em direção ao bem seja celebrado como uma vitória real do espírito sobre si mesmo.
Por Alexandre Cunha - O Homem No Mundo
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