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Entre o Orgulho e a humildade: a escolha que define destinos

No capítulo 7 de O Evangelho Segundo o Espiritismo , intitulado “Bem-aventurados os pobres de espírito”, encontramos um dos ensinamentos mais profundos e ao mesmo tempo mais mal compreendidos do Cristo. Quando Jesus declara: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, Ele não está exaltando a ignorância intelectual, nem incentivando a falta de esforço pelo conhecimento. Ao contrário, está nos convidando a refletir sobre a humildade — essa virtude silenciosa que sustenta todas as demais. Ser “pobre de espírito” é ser simples de coração. É não se considerar acima de ninguém. É compreender que, diante de Deus, todos somos aprendizes em diferentes estágios da jornada evolutiva. A tendência humana, entretanto, é outra: é a de se crer acima de tudo e de todos. O orgulho é uma sombra que nos acompanha desde as experiências mais primitivas. Ele se manifesta quando acreditamos que sabemos mais, que somos melhores, que nossa dor é maior, que nossa opinião é superio...

O fumo e o perispírito: reflexões espirituais sobre um hábito que ultrapassa o corpo

                         

Ao longo da história humana, o fumo foi culturalmente associado ao prazer, à socialização e, por vezes, a símbolos de identidade. Contudo, à luz do Espiritismo, o hábito de fumar precisa ser analisado sob uma perspectiva mais profunda, que ultrapassa os limites do corpo físico e alcança as estruturas sutis do ser integral. Não se trata de condenar, rotular ou impor culpas, mas de esclarecer consciências, oferecendo subsídios para escolhas mais livres, responsáveis e alinhadas com a saúde do corpo e da alma.

Especialmente no início de um novo ano — quando tantos corações se voltam a propósitos de renovação íntima — essa reflexão torna-se ainda mais oportuna. Parar de fumar, para muitos, figura entre promessas silenciosas, acompanhadas de esperança e insegurança. O Espiritismo, com sua proposta consoladora e educativa, oferece elementos valiosos para compreender os efeitos visíveis e invisíveis do tabagismo, respeitando sempre o livre-arbítrio.

O perispírito como arquivo vivo da existência

Na obra Janelas para a Vida, organizada por Fernando Worm, com respostas de Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier, encontramos esclarecimentos de grande alcance sobre a interação entre corpo físico, perispírito e espírito. Emmanuel define o perispírito como “o agente intermediário das sensações externas”, explicando que tudo aquilo que fazemos, pensamos e sentimos fica nele registrado.

Após a morte do corpo físico, as sensações não desaparecem. Elas se generalizam no espírito, não permanecendo localizadas como na experiência orgânica, mas espalhando-se por todo o ser. Nesse contexto, Emmanuel esclarece que “o problema da dependência química continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório perispirítico”, processo que, na maioria das vezes, apresenta duração equivalente ao tempo em que o hábito persistiu na existência física.

Não se trata de punição, mas de um mecanismo educativo das leis naturais. Quando a vontade do interessado ainda não está suficientemente fortalecida para libertar-se do vício, o tratamento no plano espiritual exige cuidados específicos. Emmanuel revela que, em certos casos, há necessidade de “cotas diárias similares às do cigarro terrestre, cuja administração diminui gradativamente”, até que o espírito consiga viver sem qualquer dependência.

As sensações do fumante no mundo espiritual

Entre os esclarecimentos mais impactantes do livro, Emmanuel descreve as sensações do fumante inveterado após a desencarnação. Segundo ele, tais espíritos experimentam estados profundamente angustiosos, marcados por intensa carência dos recursos tóxicos aos quais se habituaram no plano físico, o que compromete suas percepções espirituais.

Essas sensações, afirma Emmanuel, acabam por “tornar o espírito cego às boas percepções que o mundo espiritual pode proporcionar”, dificultando sua adaptação e aprendizado nas esferas superiores. Além disso, a resistência orgânica decresce consideravelmente com o hábito de fumar, “favorecendo a instalação de moléstias que poderiam ser evitadas”, tanto no corpo quanto no perispírito.

Todo hábito prejudicial cria condições anômalas para o envoltório espiritual, impondo condicionamentos difíceis de erradicar. Emmanuel observa ainda que, muitas vezes, filhos e netos de fumantes inveterados são os mesmos espíritos afins que, em outras existências, compartilharam hábitos semelhantes. Daí o surgimento precoce de tendências compulsivas, reclamando trabalho persistente, educativo e amoroso de reeducação.

Vontade, responsabilidade e libertação

O Espiritismo não classifica o fumo como suicídio consciente. Emmanuel esclarece que se trata de um prejuízo que o indivíduo causa a si mesmo, sem intenção deliberada de autodestruição. Por isso, o tema deve ser estudado “com esclarecimento, sem condenação”, permitindo que cada pessoa compreenda as consequências do hábito e faça suas próprias escolhas.

No mundo espiritual, somos compelidos a esquecer hábitos prejudiciais se desejamos seguir adiante em nossa evolução. O tempo de tratamento está diretamente relacionado à vontade do espírito. Quando há decisão verdadeira, o processo de limpeza e recuperação ocorre de forma mais rápida. Já aqueles que se acomodam na indecisão e na insegurança podem reincidir, vinculando-se às zonas espirituais mais próximas da Terra.

“Conseguir esquecer o hábito de fumar é, realmente, uma vitória espiritual de alto alcance.”
— Emmanuel, em Janelas para a Vida

Emmanuel acrescenta que, nas civilizações mais evoluídas do universo, problemas como tabagismo, alcoolismo e toxicomania não existem, pois o espírito já aprendeu a não se escravizar aos prazeres que geram sofrimento e limitação.

Abnegação, liberdade e crescimento espiritual

Essa reflexão encontra profunda correspondência em O Livro dos Espíritos, especialmente nas questões 907 a 912, quando Allan Kardec aborda a abnegação dos prazeres materiais. Os Espíritos ensinam que o verdadeiro mérito não está na privação forçada, mas na capacidade de renunciar voluntariamente ao que nos faz mal, em favor de um bem maior.

Abandonar o fumo, sob essa ótica, não representa perda, mas libertação progressiva. É um exercício de domínio de si mesmo, um passo concreto rumo à verdadeira liberdade espiritual.

Um testemunho silencioso de transformação

Durante cerca de trinta anos, convivi pessoalmente com o fumo como hábito e dependência. A aproximação com o estudo sério da Doutrina Espírita modificou profundamente minha visão sobre a vida, o destino e a morte. O entendimento das leis de causa e efeito, especialmente no que se refere ao perispírito, levou-me a refletir sobre os danos visíveis e invisíveis que certos hábitos produzem.

Aos poucos, percebi que, quando nos aproximamos do bem, o bem se aproxima de nós, intuindo-nos ideias, fortalecendo-nos a vontade, oferecendo novos horizontes. O abandono do fumo não foi apenas físico; foi íntimo, gradual, consciente. E os sinais são claros: o próprio semblante de quem deixa o vício se transforma, como se a vida reencontrasse maior harmonia em suas expressões.

O livro e sua proposta esclarecedora

Janelas para a Vida é uma obra de perguntas e respostas em que Fernando Worm, dialogando com Emmanuel por intermédio de Chico Xavier, examina o panorama da existência humana sob a ótica espiritual. Temas como lei de ação e reação, fecundação, morte clínica, divórcio, tabagismo, suicídio, vida espiritual dos animais e vegetais, guerra e psicanálise são tratados com clareza, equilíbrio e profundidade, tornando o livro uma referência valiosa para quem busca compreender a vida além das aparências.

Ao final, permanece atual e necessário o conselho simples e profundo de Chico Xavier:

“A prece e o trabalho, em meu entendimento, são sempre os melhores recursos para defender-nos contra o desequilíbrio.”

Que este novo ano seja, para muitos, não apenas uma mudança de calendário, mas uma janela aberta à renovação consciente, onde cada pequeno passo em direção ao bem seja celebrado como uma vitória real do espírito sobre si mesmo.

Por Alexandre Cunha - O Homem No Mundo

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