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Entre o Orgulho e a humildade: a escolha que define destinos

No capítulo 7 de O Evangelho Segundo o Espiritismo , intitulado “Bem-aventurados os pobres de espírito”, encontramos um dos ensinamentos mais profundos e ao mesmo tempo mais mal compreendidos do Cristo. Quando Jesus declara: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, Ele não está exaltando a ignorância intelectual, nem incentivando a falta de esforço pelo conhecimento. Ao contrário, está nos convidando a refletir sobre a humildade — essa virtude silenciosa que sustenta todas as demais. Ser “pobre de espírito” é ser simples de coração. É não se considerar acima de ninguém. É compreender que, diante de Deus, todos somos aprendizes em diferentes estágios da jornada evolutiva. A tendência humana, entretanto, é outra: é a de se crer acima de tudo e de todos. O orgulho é uma sombra que nos acompanha desde as experiências mais primitivas. Ele se manifesta quando acreditamos que sabemos mais, que somos melhores, que nossa dor é maior, que nossa opinião é superio...

Como ser solidário no mundo de hoje

                           

Uma reflexão à luz do Espiritismo — trabalho, solidariedade e tolerância

Vivemos tempos marcados pela pressa, pela dispersão e, sobretudo, por uma crescente indiferença diante da dor alheia. As telas aproximam o mundo, mas afastam corações; conectam vozes, mas dessintonizam sensibilidades. Nunca estivemos tão próximos fisicamente — e, paradoxalmente, tão distantes espiritualmente. Diante desse cenário, a Doutrina Espírita nos oferece um chamado firme e luminoso: resgatar a solidariedade como expressão viva da fraternidade ensinada por Jesus.

Allan Kardec, ao organizar o Espiritismo, escolheu como lema três pilares morais: trabalho, solidariedade e tolerância. Esses três princípios formam a base de uma sociedade verdadeiramente regenerada. Mas é a solidariedade — palavra que Kardec não usa frequentemente como termo técnico, mas cujo espírito permeia toda a codificação — que se revela como impulso essencial para que os indivíduos reconheçam-se mutuamente como irmãos.

Fundamentos doutrinários

No Livro dos Espíritos encontramos conceitos subjacentes à solidariedade: a caridade, a lei de justiça, amor e caridade, a necessidade de auxiliar o próximo, de compreender suas fragilidades, de agir não por interesse, mas por dever moral e impulso do coração. Na questão 886, os Espíritos definem caridade como “benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas”. A solidariedade verdadeira nasce justamente desse olhar: amparo, compreensão e fraternidade.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Jesus nos é mostrado como o arquétipo supremo da fraternidade. Ele nos ensina que Deus não é apenas Criador, mas Pai, e se é Pai, todos somos filhos — e, portanto, irmãos. A raiz da solidariedade é esta consciência profunda: o que fere um, atinge todos; o que cura um, beneficia o conjunto. Não por acaso, a máxima “Fora da caridade não há salvação” ecoa como um farol moral. E, quando Cristo afirma “Amar ao próximo como a si mesmo”, não convoca apenas um sentimento, mas uma prática cotidiana e ativa.

Em obras como Ave Cristo, psicografada por Chico Xavier e ditada por Emmanuel, encontramos narrativas tocantes em que personagens abnegados se entregam a gestos silenciosos e decisivos de auxílio. São exemplos em que o verdadeiro amor se revela em “solidariedade a bem das criaturas humanas” — uma solidariedade que não se limita ao discurso, mas se concretiza em dedicação, renúncia, coragem e presença.

Solidariedade no cotidiano

Como trazer esses exemplos elevados para a nossa realidade imediata? Muitos imaginam que ser solidário significa realizar grandes atos, sacrifícios heroicos, movimentos coletivos. Contudo, a solidariedade genuína nasce do simples, do discreto, do cotidiano. Ela está presente no sorriso oferecido ao desconhecido, no “bom dia” dito com sinceridade no elevador, no gesto de escutar alguém que está passando por um momento difícil, no telefonema feito a um amigo que sofre, na visita, no convite para um almoço quando percebemos que alguém se encontra em luto, isolado ou decepcionado com a vida.

A verdadeira solidariedade não exige que carreguemos o peso da dor alheia, mas que não deixemos o outro carregar esse peso sozinho. É presença, companheirismo, acolhimento — mesmo que breve, mesmo que simples. É dizer: “Eu estou aqui”, ainda que não possamos resolver o problema, ainda que não saibamos as palavras exatas. Muitas vezes, o que salva alguém de um abismo emocional não é um conselho brilhante, mas o simples fato de não se sentir invisível.

O desafio da apatia

Infelizmente, vivemos hoje um tempo de apatia moral. Pessoas não querem se envolver, não desejam “problemas”, evitam vínculos profundos, afastam-se do sofrimento alheio com justificativas práticas e argumentações frias. Essa postura, no entanto, produz seres humanos cada vez mais insensíveis — incapazes de perceber a dor do familiar dentro da própria casa, a solidão do vizinho, a tristeza do amigo que se cala para não atrapalhar.

O Espiritismo nos recorda que a solidariedade não é um luxo moral ou uma virtude opcional: é necessidade evolutiva. É imperativo divino. Se o mundo atravessa momentos de tensão, egoísmo e desagregação, cabe a cada um de nós reacender — onde estivermos — a luz da fraternidade ensinada por Jesus e reafirmada por Kardec.

Convocação à prática

Ser solidário no mundo de hoje é nadar contra a corrente da indiferença. É resistir ao egoísmo que domina comportamentos. É escolher ser apoio num tempo em que tantos desabam. É ser voz amiga onde muitos silenciam. É estender a mão quando tantos recolhem as suas.

E, sobretudo, é lembrar: todo gesto de amor gera movimento. Uma pequena chama acesa no coração de alguém pode iluminar caminhos que nem imaginamos. E, ao sermos solidários, somos nós os primeiros beneficiados, porque a solidariedade transforma não apenas quem a recebe — mas, profundamente, quem a oferece.

— Reflexão inspirada nas obras de Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e em Ave Cristo, psicografado por Chico Xavier ditado pelo Espírito Emmanuel.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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