Pesquisar este blog
Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
Destaques
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Depois das lutas no mundo carnal, a volta para a pátria espiritual
Uma reflexão afetiva e instrutiva sobre reencarnação, provas, família e reencontro espiritual.
A existência terrena é uma oficina sagrada, na qual a alma é chamada a trabalhar com zelo e coragem. Conforme nos lembra Bezerra de Menezes, no livro Compromissos Iluminativos, a reencarnação “é oportunidade sublime para recomeçardes, retificando equívocos e traçando parâmetros de comportamento salutar com metas superiores da vida.” Não nascemos por acaso. Cada instante da vida corporal é resultado de programas superiores, elaborados para que aprendamos, sirvamos e nos transformemos.
A vida na carne é, naturalmente, marcada por contrastes. O sorriso que se abre com espontânea alegria logo pode dar lugar às lágrimas de frustração e amargura. Isso acontece porque estamos num planeta de provas e expiações, onde enfrentamos dificuldades inesperadas, situações de reparação e desafios que não podem ser adiados no mapa da ascensão espiritual. As experiências não são castigos, mas recursos, cuidadosamente destinados à nossa elevação moral.
“Quando serão os homens conscientizados da transitoriedade do corpo e da perenidade da vida?”, indaga Bezerra. É indispensável despertar para a realidade da imortalidade da alma. Cada minuto corporal encurta nossa estada na Terra, enquanto nos brinda experiências valiosas, modelando nossa sensibilidade, formando hábitos novos e engrandecendo o espírito. Não atravessamos os abismos da vida física sem a barca do sofrimento, conduzindo-nos pelo rio das tentativas e das conquistas morais. Investir na alma é a única posse real que levaremos de volta ao mundo espiritual.
E há, no ensinamento de Bezerra, um ponto de profunda ternura: a presença dos nossos amores desencarnados. Ele afirma, com doçura sublime:
“Vossos familiares queridos, que se anteciparam no roteiro da libertação do corpo carnal, aqui estão conosco, afetuosos e gentis, cantando hinos de glória à vida em favor dos vossos cometimentos. Sintonizados com eles, avançai; vinculados com eles, porfiai; no afeto deles, vivei! Vieram antes. Apartaram-se do corpo, não porém, de vós.”
Essa afirmação consola, fortalece e devolve sentido à saudade. Ninguém parte sozinho. Ninguém permanece esquecido. A vida espiritual é continuidade do afeto, e os laços que amamos se tornam presença, inspiração e amparo silencioso em nossas lutas mais íntimas.
Os instrumentos da vida carnal para a elevação moral
No capítulo 6 de Jesus no Lar, o Cristo esclarece que os laços familiares são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai para nossa elevação. As pessoas com que convivemos não estão conosco por acaso: são recursos educativos, colocados ao nosso lado com precisão divina.
Jesus explica que:
- o ignorante é campo de benemerência espiritual;
o ingrato é ocasião de exercício do perdão;
o mau é desafio para aferirmos a bondade;
o doente é lição para exercitarmos a compaixão e dar o socorro;
os parentes difíceis funcionam como “o martelo ou o serrote” que lapidam nosso templo interior.
A maior vitória espiritual ocorre dentro do lar, no trato cotidiano, silencioso e real, onde nossas virtudes são testadas e refinadas. Aquele que se conduz bem junto aos familiares endurecidos prepara-se com rapidez para a glória do serviço à humanidade. Jesus ressalta: se falhamos no lar, dificilmente triunfaremos com recursos alheios, porque o Pai nos concede problemas e convivências conforme nossa capacidade de solucioná-los.
A paciência aprimora a vida, e o tempo tudo transforma — eis a lei silenciosa que governa nossos encontros e reencontros.
O retorno à pátria espiritual
Depois das lutas no mundo carnal, chega para todos o momento do retorno. A morte não é fim, mas passagem. Retornamos ao lar de onde viemos, revendo os que partiram antes, reencontrando afetos, retomando lembranças e percebendo com clareza o valor de cada gesto praticado na Terra.
O adeus aparente, quando visto pela ótica da imortalidade, torna-se um “até breve” cheio de esperança. Cada volta ao plano espiritual é também uma colheita: colhemos aquilo que semeamos em forma de virtude, renúncia, caridade ou aprendizado doloroso.
E, sobretudo, retornamos mais ricos de experiência e mais conscientes da grandiosidade do amor divino.
A vida na Terra é breve, mas intensa. É oficina, escola, templo e laboratório. E cada relacionamento, cada dor, cada alegria e cada prova são instrumentos com que Deus nos auxilia a construir nosso progresso.
Vivamos, portanto, como quem sabe que o corpo é passagem, mas o espírito é eterno.
Vivamos como quem sabe que a dor educa, mas o amor redime.
Vivamos como quem sabe que ninguém caminha só — nem os que ficaram, nem os que partiram.
E que, ao final da jornada, a pátria espiritual nos aguarda: luminosa, acolhedora, repleta daqueles que nos amam e torcem por nossa vitória interior.
Que assim seja!
- Estudo inspirado no livro " Compromissos Iluminativos" de Divaldo Franco pelo Espírito Bezerra de Menezes, capítulo 5 (Determinismo Espiritual) e livro "Jesus no lar" de Chico Xavier pelo Espírito Néio Lúcio, capítulo 6 (Os instrumentos da perfeição)
Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Postagens mais visitadas
Retorno à Vida Corporal: O Planejamento Reencarnatório
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Progressão dos Espíritos: Entendendo a Escala Espírita e a Evolução da Alma
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos



Comentários
Postar um comentário
Olá amigos,Deixem aqui seus comentários!