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Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
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A Vida que Continua: Libertando-se do Temor da Morte
O temor da morte acompanha a humanidade desde os seus primórdios. Mesmo entre aqueles que professam fé na imortalidade da alma, esse receio ainda surge, silencioso, nas horas de doença, dor ou despedida. Suas raízes, porém, são mais profundas do que se imagina e se alimentam de fatores psicológicos, culturais, religiosos e espirituais que se acumulam ao longo das existências.
Muitos temem a morte devido às antigas crenças que lhes foram ensinadas na infância, fazendo-os acreditar em infernos eternos e castigos imutáveis. Embora a razão rejeite tais ideias, elas permanecem fixadas no subconsciente, como sombras emocionais difíceis de dissipar. Outros, por sua vez, carregam compromissos reencarnatórios ainda não plenamente cumpridos, pressentindo que deixaram tarefas inacabadas. E há aqueles cuja formação foi marcada por histórias de fantasmas, superstições ou literatura equivocada, criando associações negativas sobre a passagem para o mundo espiritual.
Contudo, o Espiritismo — codificado por Allan Kardec — “mata a morte”, porque revela sua verdadeira natureza: uma transição, não um fim. A vida prossegue em todas as direções do existir, ampliada em lucidez e responsabilidade. As regiões umbralinas, tão temidas por alguns, não representam punição eterna, mas zonas temporárias de reajuste, condizentes com a pedagogia misericordiosa de Deus.
O Olhar Espírita Sobre o Medo da Morte
Os Espíritos ensinam em O Livro dos Espíritos, questão 730, que: “Ao justo, nenhum temor inspira a morte, porque, com a fé, tem ele a certeza do futuro.” O homem que cultivou a caridade e viveu em harmonia com a lei do amor tem a tranquilidade interior de quem sabe que encontrará, no mundo espiritual, apenas os frutos de suas próprias obras.
Kardec aprofunda ainda mais essa compreensão no comentário à questão 941: o homem moral, que se eleva acima das paixões e das necessidades artificiais, já experimenta na Terra uma serenidade que o materialista desconhece. Suas alegrias são mais puras; suas dores, mais leves; suas contrariedades, menos profundas. Ele vive em paz consigo mesmo. E quem vive em paz na Terra, parte em paz para o Céu.
Além disso, o olhar espírita revela que o medo da morte diminui na medida em que o indivíduo compreende sua própria trajetória espiritual. O conhecimento da reencarnação transforma a visão limitada da existência em uma compreensão ampla e contínua, na qual cada vida é etapa de um processo maior. Percebe-se, então, que a morte não interrompe planos divinos, apenas realoca tarefas; não destrói afetos, apenas os desloca; não extingue consciências, apenas as desperta para um nível mais amplo de percepção. À luz dessa compreensão, o ser humano passa a enxergar a morte não como ameaça, mas como parte natural da pedagogia divina, que conduz cada Espírito ao progresso destinado por Deus desde toda a eternidade.
As Causas do Temor Segundo Manoel Philomeno de Miranda
No livro Temas da Vida e da Morte, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco, explica que o temor da morte deriva de fatores ligados à natureza humana e corporal:
- o instinto de conservação da vida;
- a predominância temporária da natureza animal;
- o esquecimento provisório da vida espiritual;
- as crenças religiosas ortodoxas sobre penas eternas;
- o receio do aniquilamento.
Conforme se esclarecem os enigmas da realidade pós-morte, o medo se dissipa. A dúvida dá lugar à certeza; o receio transforma-se em confiança; e o ser humano passa a viver o presente com os olhos voltados para o futuro espiritual. A saudade dos que partiram suaviza-se com a certeza do reencontro, que deixa de ser uma esperança para tornar-se convicção.
Manoel Philomeno de Miranda acrescenta ainda que esse temor, tão comum entre encarnados, nasce também da fragilidade moral que muitos cultivam ao longo da existência física. Quando a vida é conduzida sem reflexão, sem responsabilidade espiritual e sem compromisso com o progresso íntimo, o indivíduo passa a temer a morte porque pressente, instintivamente, que encontrará a si mesmo além do corpo. A consciência, que durante a vida corporal tenta silenciar impulsos de culpa ou equívocos repetidos, desperta com mais força diante da perspectiva da desencarnação. Por isso, o autor ressalta que o medo da morte é, muitas vezes, um reflexo da falta de sintonia com a própria essência imortal — e que somente o cultivo cotidiano da lucidez, da ética e da renovação interior é capaz de dissipá-lo de modo definitivo.
Viver Bem: O Verdadeiro Antídoto Contra o Medo
É necessário compreender que a maneira mais segura de superar o temor da morte é aprender a viver bem. A vida corporal é uma oportunidade preciosa, cuidadosamente planejada pela sabedoria divina. Cada dia é uma nova página no livro da alma; cada relacionamento, um laboratório de crescimento; cada desafio, uma lição necessária.
Vivemos em sintonia com a paz quando aceitamos que Deus tem o tempo certo para todas as coisas. Nada ocorre antes, nada ocorre depois. Por isso, é essencial confiar, trabalhar, amar e servir com plenitude. Não nos cabe antecipar sofrimentos nem imaginar desfechos trágicos que raramente se concretizam.
Viver bem é preparar-se para um retorno luminoso. Quem cultiva a caridade acende luzes para si mesmo; quem perdoa, liberta-se; quem disciplina os impulsos, fortalece-se; quem ama, engrandece a própria alma. Assim, o retorno à vida espiritual se torna tranquilo e natural, como quem volta para casa após longa jornada.
A Travessia Serena
A morte não é um fim. É apenas uma passagem. E aqueles que se esforçam, ainda que imperfeitamente, para viver em harmonia com o bem, não temerão o momento da transição. Como ensinam os Espíritos, o justo não teme a morte porque tem a certeza do futuro e a convicção de que encontrará, no Além, apenas aquilo que plantou: paz, trabalho e amor.
Vivamos, portanto, com coragem e serenidade. Vivamos como quem sabe que o corpo é provisório, mas o espírito é eterno. Vivamos de tal maneira que, quando a hora da volta chegar, possamos dizer, com gratidão e tranquilidade:
“Fiz o melhor que pude. Estou pronto para seguir adiante.”
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| Livro fascinante! Super recomendo! |
Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo
Livros consultados para elaboração do estudo:
O Livro dos Espíritos – questões 730, 941 e 942
Temas da Vida e da Morte – capítulo “Temor da Morte”
Depois da Morte – capítulos sobre imortalidade e vida futura
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