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Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
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Eu sou o caminho, a verdade e a vida
A noite da traição não começou com ódio declarado, mas com um coração confuso. No capítulo 24 de Boa Nova, psicografado por Chico Xavier pelo Espírito Humberto de Campos, Judas Iscariotes não surge como um vilão simplista, mas como um homem dilacerado por expectativas humanas. Ele amava Jesus. Via no Mestre não apenas o profeta do Reino de Deus, mas aquele que, em sua ilusão, poderia assumir um papel de poder capaz de transformar as estruturas do mundo.
Seduzido pelas promessas de Caifás, Judas acreditou que, ao entregar Jesus em troca de prestígio e dinheiro, estaria, paradoxalmente, ajudando a causa do Cristo. Imaginava-se influente, protegido, capaz de intervir depois, quando tudo “se resolvesse”. Era a fé misturada ao orgulho, a devoção contaminada pela ambição.
A trama, porém, desenrola-se em dor. Quando o beijo sela a entrega, o sofrimento de Jesus não é apenas físico ou moral diante da injustiça iminente. É, sobretudo, o sofrimento de quem ama e compreende. O Cristo percebe a fragilidade do amigo, sente a angústia de Judas antes mesmo que ele próprio a reconheça.
Não há ódio no olhar do Mestre, não há condenação. Há silêncio, compaixão e um amor que não se retrai diante da ingratidão. Judas, atordoado pelo peso do próprio ato, traz no íntimo uma voz que não o acusa, mas o esclarece. É a voz do Cristo, que ressoa no âmago da consciência humana:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim.”
Não como ameaça, mas como convite. Não como exclusão, mas como direção segura em meio ao caos moral.
A paciência
Essa cena dolorosa nos conduz ao capítulo 9, item 7 – “Paciência”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ali aprendemos que as dores que Deus permite não são castigos arbitrários, mas bênçãos disfarçadas, oportunidades de crescimento espiritual.
A paciência, ensinada e vivida por Cristo, é uma forma elevada de caridade. Ser paciente não é resignar-se passivamente, mas compreender que muitos dos que surgem em nosso caminho como instrumentos de sofrimento — tal como Judas no caminho de Jesus — estão, na verdade, cooperando para nosso aprimoramento.
Perdoá-los é libertar-nos. A paciência coloca à prova nossa fé, nossa humildade e nossa capacidade de amar além das conveniências pessoais. O Evangelho nos convida a considerar não apenas os deveres impostos pelas provas, mas também as consolações e compensações que as acompanham.
Quando olhamos com atenção, percebemos que as bênçãos superam amplamente as dores. Cada lágrima aceita com fé gera aprendizado; cada renúncia vivida com amor produz luz. O sofrimento não é o fim, é o meio.
Coragem diante da dor
É aqui que emerge, com força, o tema da coragem. O sofrimento do Cristo foi incomparavelmente maior que o nosso, e Ele era inocente. Nós, ao contrário, trazemos débitos de outras existências, necessidades de expiação e reajuste. Ainda assim, somos amparados, sustentados e convidados a seguir.
No capítulo 18 – “Coragem”, do livro Busca e Acharás, de Chico Xavier pelo Espírito André Luiz, somos lembrados de que a dificuldade é sempre uma lição. O desânimo nasce quando perdemos o sentido educativo das provas. A irritação é apenas uma nuvem passageira entre nós e a realidade maior.
Se erramos, é tempo de aprender e recomeçar, não de desistir. Se surgem injúrias, temos a chance de servir mais e conquistar a confiança pelo bem. Se a enfermidade nos visita, é hora de exercitar a fé viva.
Confiar é um ato de coragem: coragem de superar-se, de realizar o melhor ao nosso alcance, mesmo quando tudo parece contrário. Quem busca a felicidade pela prática do bem não deve alimentar dúvidas nem desalento.
Confiando em Deus e em si mesmo, basta seguir em frente, fiel ao próprio dever, porque o caminho ensinado por Cristo continua sendo o mesmo: caminhar, aprender, amar — e encontrar.
Quando a dor nos ensina o caminho
A história de Judas, relida à luz do Evangelho e da Doutrina Espírita, não é apenas um episódio do passado — é um espelho silencioso de nossas próprias contradições. Quantas vezes também amamos o Cristo, mas tentamos conduzir Sua obra segundo nossas conveniências? Quantas vezes confundimos fé com pressa, esperança com ambição, confiança com controle? Jesus, porém, não se afasta. Mesmo traído, permanece. Mesmo ferido, ama. Seu sofrimento não nos acusa; educa-nos. O silêncio de Jesus diante da dor não é sinal de impotência, mas de grandeza moral, pois nele estão contidos a paciência que sustenta, o perdão que cura e a coragem de permanecer fiel ao amor.
Ao permitir que Judas cumpra seu papel na trama dolorosa da redenção, o Cristo nos ensina que até os instrumentos da dor podem ser, aos olhos de Deus, caminhos de aprendizado e transformação. Quando a vida nos fere, quando somos incompreendidos ou traídos, ecoa em nossa consciência a mesma voz mansa e firme: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Não há atalhos para a luz. Há, sim, escolhas diárias de amor, renúncia e fidelidade ao bem, mesmo quando o coração vacila. Seguir o Cristo é aceitar que a cruz precede a ressurreição, que a noite antecede o amanhecer e que a coragem verdadeira nasce da confiança em Deus. É caminhar sem ódio, servir sem exigir, perdoar sem esquecer a lição. E, assim, passo a passo, transformar a dor em sabedoria, a prova em bênção e o sofrimento em semente de vida nova. Porque, ao fim de toda estrada humana, não nos será perguntado quanto sofremos, mas quanto aprendemos a amar.
Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo
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