Pesquisar este blog
Reflexões e estudos da Doutrina Espírita, baseado nas obras de Allan Kardec
Destaques
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Perdoar Quem Parece Imperdoável: O Olhar Espírita Sobre a Maldade Humana
Perdoar pessoas más é um dos desafios morais mais exigentes do caminho espiritual. Na perspectiva espírita, os encontros dolorosos que vivenciamos não ocorrem ao acaso: fazem parte do roteiro reencarnatório — valiosas oportunidades de prova, expiação e aperfeiçoamento. O presente texto oferece um roteiro prático e doutrinário para compreender o perdão quando nos deparamos com almas inevitavelmente hostis ou corrompidas pelo meio.
1. Pessoas más: nascem más ou se corrompem?
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, esclarece que Deus não criou Espíritos irreparavelmente maus. A questão da liberdade moral e do livre-arbítrio está no centro do pensamento kardequiano: cada Espírito recebe aptidões e tendências, mas é pelo uso das faculdades que se encaminha para o bem ou para o mal. Assim, muitos indivíduos que praticam atos violentos foram, em grande medida, moldados por sua educação, ambiente, vícios e companhias — e por falhas na programação reencarnatória.
“Ninguém erra por ser mau. Erra por ser ignorante do amor.” — frase frequentemente citada por médiuns e estudiosos do Espiritismo.
Divaldo Franco, em suas conferências, costumava falar que muitos criminosos são almas atormentadas, que sucumbiram às paixões e às influências do meio. Em vários relatos espíritas, vê‑se que o agressor pode não ter sido enviado para ser apenas um “assassino de destino”: muitas vezes foi programado para desafios ou fins diferentes e acabou se corrompendo ou falhando em sua tarefa reencarnatória.
2. As provas e os reencontros: por que nos cruzamos?
O Evangelho Segundo o Espiritismo ensina que Espíritos inferiores nos cercam para nos provar. Nem sempre um inimigo foi feito para nossa ruína; algumas vezes é um espelho das nossas próprias fragilidades — orgulho, impaciência, sede de vingança — e uma oportunidade para fortalecimento moral.
Quantas vezes vemos nas famílias um indivíduo que destoa totalmente dos outros integrantes. Vemos irmãos que tiveram a mesma criação tomarem caminhos totalmente adversos na vida.
O Espiritismo explica que muitos desafetos são resultados de vínculos reencarnatórios. A presença de pessoas hostis em nossos caminhos pode ensinar a tolerância, a paciência e a elevação do pensamento. Perdoar, nesse contexto, significa transformar a prova em degrau.
3. Perdoar não é sinônimo de conviver
Uma confusão comum é acreditar que perdoar implica aceitar a permanência da pessoa maldosa em nosso convívio. Não. Jesus nunca orientou que vivêssemos sob abusos; ensinou a amar e a orar pelos que nos perseguem, mas também preservou a dignidade e a prudência. O perdão é um ato interior — uma desobstrução do ressentimento — que não exige submissão a novos danos.
O afastamento é legítimo quando a convivência ameaça a saúde moral, emocional ou física. O perdão, assim, libera o coração; a distância protege o processo evolutivo.
4. Como evitar que a maldade alheia nos afete?
O princípio é simples: a influência só penetra onde existe sintonia. André Luiz e outros autores espíritas explicam que a sintonia espiritual abre ou fecha a porta para a influência nociva. Algumas práticas concretas ajudam a manter sintonia elevada:
- Oração diária — proteção e equilíbrio;
- Evangelho no Lar — cria ambiente de paz e harmoniza o lar;
- Autovigilância — identificar quais sentimentos o ofensor desperta em nós e tratá‑los com franqueza;
- Transformação de pensamento — evitar ruminações e cultivar memórias edificantes;
- Atuação social e ocupação mental — o trabalho útil e o amor ao próximo desviam da fixação no mal;
- Assistência mediúnica ou espiritual — quando há perturbação intensa, a casa espírita ajuda com passes e preces.
Esses recursos não são mágicos, mas regeneradores: reforçam a proteção moral e impedem que a maldade do outro se converta em prisão interior.
5. Passos práticos para perdoar pessoas más
- Reconheça a condição humana: todos somos espíritos em evolução;
- Veja o agressor como alguém doente: não para eximir responsabilidade, mas para compreender a dor que o move;
- Ore por ele: Chico Xavier afirmou repetidamente que a oração em favor do ofensor é remédio para ambos;
- Afaste‑se quando necessário: o perdão não implica exposição continuada ao dano;
- Entregue a justiça a Deus: a Lei Divina é reparadora e sábia; nossa função é aprender e amar;
- Transforme a experiência em serviço: se possível, ampare quem erra, ajude em trabalho educativo, se não houver risco.
FAQ — Perguntas frequentes
O perdão impede a justiça?
Não. O perdão íntimo não anula as consequências morais e sociais dos atos. A Lei de causa e efeito age conforme as escolhas; perdoar é um ato de liberdade interior, não de impunidade.
Devemos orar por assassinos e criminosos?
Sim. Orar por essas almas é atitude cristã. Muitos criminosos são espíritos adoecidos que, pela prece e auxílio, podem alcançar reabilitação gradual.
Perdão significa esquecer?
Nem sempre. Esquecer pode ser difícil. O que importa é que a lembrança não seja veneno: ela deve servir como lição, e não para reviver ódio.
Conclusão — Perdoar para libertar
Perdoar pessoas más, segundo a Doutrina Espírita, é um ato de inteligência moral e coragem. Não se trata de minimizar o erro, mas de compreender o processo de queda do próximo e responder com caridade ativa. Perdoar liberta o coração, fortalece o espírito e evita que o mal se perpetue através do ressentimento. Como ensinou Emmanuel e como viveu o Cristo, perdoar setenta vezes sete é roteiro para a verdadeira liberdade — não para favorecer o ofensor, mas para curar quem perdoa.
![]() |
👆 Se liga: esse livro é transformador. Recomendo! |
Alexandre Cunha - O Homem no Mundo
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Postagens mais visitadas
Retorno à Vida Corporal: O Planejamento Reencarnatório
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Progressão dos Espíritos: Entendendo a Escala Espírita e a Evolução da Alma
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
.png)


Comentários
Postar um comentário
Olá amigos,Deixem aqui seus comentários!