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Destaques

Maledicência: os murmuradores da vida alheia

                         A meledicência é uma imperfeição da alma. Falar da vida alheia parece, muitas vezes, um hábito inofensivo. Um comentário aqui, uma crítica ali, uma conversa sobre o comportamento de alguém que nem sequer está presente para se explicar. Mas, quando nos acostumamos a procurar os defeitos do próximo e a divulgá-los, transformamos a palavra em instrumento de julgamento e nos afastamos dos ensinamentos de Jesus. A pessoa maledicente é maldosa. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , capítulo 10, itens 9 e 11, encontramos importantes reflexões sobre o argueiro e a trave no olho e sobre a advertência de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. O Mestre também nos convida a refletir sobre a própria conduta ao afirmar que aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra. A maledicência é justamente isso: esmiuçar a vida alheia, destacando os erros, interpretando as atitudes pelo lado mais des...

Por que Orar? A Resposta de Jesus e o Entendimento Espírita das Provas

                         

A oração sempre ocupou um lugar central no ensinamento do Cristo. Certa feita, um dos discípulos, observando que o Mestre constantemente buscava o silêncio após as tarefas, interrogou-O:

“Senhor, por que orais tanto? Sempre quando terminadas as tarefas, por que buscais o silêncio e penetrais na oração?”

Jesus, com a serenidade que Lhe era peculiar, respondeu:

“A alma tem necessidade da oração, em maior dosagem do que o corpo de pão. Orar é buscar Deus, penetrando-Lhe nas mêrces e haurindo resistência nos Seus recursos divinos. O silêncio propicia a busca; a solidão renova as energias, e a comunhão com a fonte geradora de vida faculta o prosseguimento dos compromissos abraçados.”

Mas o discípulo insistiu:

“Mesmo vós, que sois o Caminho para o Pai e o Seu Messias para a humanidade, tendes necessidade de orar?”

E Jesus explicou:

“A chama que ilumina gasta o combustível que a sustenta, e a chuva que irriga o solo retorna à nuvem de onde provém. O intercâmbio de forças com o Pai Criador restaura-as na criatura, e eu próprio n’Ele encontro o reforço de sustentação para o messianato de amor em Seu nome.”

Diante desse esclarecimento, João perguntou ainda:

“E todos temos necessidade e dever de orar?”

E Jesus, ampliando a lição:

“O homem que ora eleva-se no rumo da grande luz e nimba-se de claridade radiosa... O ministério da oração é um dos mais delicados setores, exigindo hábeis servidores que se encarregam de registrar as solicitações em preces, selecioná-las e cuidar do seu atendimento conforme a procedência de cada emissão de onda mental. Em razão disso, a oração deve ser uma vibração sincera, carregada de emoção, ao invés de expressivo palavreado sem a participação dos sentimentos honestos de elevação.”

Essas palavras, registradas por Amélia Rodrigues, no livro Trigo de Deus psicografado por Divaldo Franco, mostram que orar é muito mais do que pedir: é elevação, sintonia e intercâmbio com o Alto. A prece transforma o quadro íntimo, prepara o espírito para a ação reta e sintoniza a criatura com a inspiração superior.

A luz do Espiritismo: oração, provas e cura

Ao confrontarmos essas reflexões com os esclarecimentos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, a visão torna-se mais ampla e consoladora. O texto evangélico nos recomenda orar de coração, pedindo não apenas a cura do corpo, mas sobretudo a cura da alma:

“Em vossas aflições olhai sempre o céu e dizei, do fundo do vosso coração: Meu Pai, curai-me, mas fazei que minha alma doente seja curada antes das enfermidades do meu corpo; que minha carne seja castigada se preciso for, para que minha alma se eleve a vós...”

Essa prece revela que a verdadeira cura começa pelo espírito. Muitas dores, enfermidades ou dificuldades não são castigos arbitrários, mas sim provas educativas — efeitos de causas anteriores que, pela lei de justiça, precisam ser cumpridas.

O Evangelho nos lembra com clareza: Deus não inflige punições arbitrárias. As consequências que colhemos muitas vezes derivam de escolhas passadas; assim, aquilo que chamamos de “caprichos da sorte” é, por vezes, o curso natural da lei de causa e efeito. Mesmo assim, a prece é sempre ouvida: ela confere força, serenidade e iluminação para atravessarmos os processos necessários.

Quando a prece parece não ser atendida

Nem sempre as respostas divinas coincidem com os nossos desejos imediatos. Isso não significa silêncio ou desamor do Pai. Muitas provas têm propósito educativo e exigem vivência íntegra para que o Espírito evolua. A oração, porém, mesmo quando a providência retarda, não é inútil: ela nos dá o ânimo e a luz que tornam suportáveis e transformadoras as experiências dolorosas.

Portanto, quando nos parece que não somos atendidos, cabe refletir sobre o papel da prova. Aceitá-la com resignação ativa e buscar o entendimento de suas causas é parte do processo redentor. Assim, a prece e a compreensão das leis divinas trabalham juntas em favor do progresso íntimo.

Oração e prática: a síntese da cura

As lições do Cristo e os esclarecimentos espíritas convergem em um ponto essencial: orar é preciso, mas praticar os ensinamentos é indispensável. A prece sintoniza; a prática transforma. A oração sem mudança de vida gera apenas consolo momentâneo; a prática sem oração carece de sustentação espiritual.

Jesus resumiu um modelo de vida e de oração ao ensinar a oração dominical — “Pai nosso que estás nos céus...” — não como fórmula vazia, mas como programa de entrega, humildade e serviço. Quando oramos com sinceridade e vivemos os valores do Evangelho — amor, perdão, caridade, humildade — a verdadeira cura alcança a alma.


Conclui-se, então, que a oração é ponte e ferramenta: ponte de comunicação com o Criador e ferramenta de renovação íntima. Compreender as provas como mecanismos educativos e praticar os ensinamentos do Cristo é o caminho para a cura profunda que a alma necessita. Que aprendamos a orar com sinceridade, a aceitar com lucidez as provas que nos tocam e a viver, no cotidiano, os mandamentos do amor ensinados por Jesus — pois somente essa vivência integral poderá verdadeiramente curar.

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     Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

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