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Destaques

Maledicência: os murmuradores da vida alheia

                         A meledicência é uma imperfeição da alma. Falar da vida alheia parece, muitas vezes, um hábito inofensivo. Um comentário aqui, uma crítica ali, uma conversa sobre o comportamento de alguém que nem sequer está presente para se explicar. Mas, quando nos acostumamos a procurar os defeitos do próximo e a divulgá-los, transformamos a palavra em instrumento de julgamento e nos afastamos dos ensinamentos de Jesus. A pessoa maledicente é maldosa. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo , capítulo 10, itens 9 e 11, encontramos importantes reflexões sobre o argueiro e a trave no olho e sobre a advertência de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. O Mestre também nos convida a refletir sobre a própria conduta ao afirmar que aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra. A maledicência é justamente isso: esmiuçar a vida alheia, destacando os erros, interpretando as atitudes pelo lado mais des...

Corpo Humano, o Santuário do Espírito

Quando o espírito se prepara para uma nova existência, ele não “cai” no mundo por acaso. Há um encontro silencioso entre o imortal e o transitório, entre o que somos e o que precisaremos ser. Antes do renascimento, forma-se um campo de atração que liga o espírito ao embrião que se desenvolve. Essa ligação é discreta, mas profunda, e revela que o corpo não é mero acaso biológico: é roupa escolhida, instrumento moldado, estrada que se ajusta aos passos que teremos de dar.

Cada existência começa muito antes do primeiro choro. Benfeitores espirituais ajudam a modelar, célula a célula, o organismo que refletirá nossas necessidades. Imperfeições, facilidades, fragilidades e potências não surgem como castigos ou prêmios, mas como peças de um cenário cuidadosamente planejado para o nosso progresso. Em nível íntimo, o espírito concorda com tudo isso: aceita a família, o tempo, o corpo e as experiências que virão. Não somos vítimas dos acontecimentos — somos cooperadores de um roteiro que escolhemos viver.

O corpo, então, não é um invólucro descartável. É um santuário vivo, um templo onde a alma aprende, se disciplina e floresce. Ele traduz nossa maturidade espiritual: expressa nossas tendências, absorve nossas emoções e responde aos nossos hábitos, bons ou maus. Se o espírito é o escultor, o corpo é o mármore sensível que registra cada golpe, cada cuidado, cada descuido.

No cotidiano, esquecemos essa grandeza. Tratamos o corpo apenas como objeto, fonte de prazer, ferramenta de trabalho ou motivo de preocupação estética. Mas sua função é muito mais alta. Ele é o instrumento moral que nos permite agir na Terra: sentir, escolher, renunciar, servir, transformar. Pelo corpo, experimentamos as provas que nos aperfeiçoam; através dele, aplicamos virtudes que antes estavam apenas em projeto.

Por isso a saúde não é apenas uma questão biológica, mas espiritual. Cada refeição equilibrada, cada noite de descanso, cada hábito saudável é uma forma de respeito ao compromisso assumido antes de nascer. Do mesmo modo, excessos, vícios e descuidos são rupturas desse pacto. Nada passa sem registro: nossas atitudes deixam marcas no corpo físico e também no corpo espiritual, que será o veículo da alma após a morte. A vida nos mostra isso de forma constante — o corpo responde às emoções, adoece quando nos sobrecarregamos, se renova quando cultivamos paz.

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O organismo não trabalha sozinho. Cada célula vibra em sintonia com os centros energéticos que nos sustentam, e que por sua vez respondem ao campo mental que geramos diariamente. Pensamentos de gratidão iluminam. Emoções corrosivas desgastam. Assim, cuidar do corpo não se limita a nutri-lo: é necessário cuidar da alma que o dirige. Corpo e espírito se influenciam mutuamente, construindo ou destruindo a harmonia que voltará a nós como reflexo.

E quando a morte chega, o corpo retorna ao pó, mas suas consequências permanecem. Os hábitos que cultivamos, o respeito ou o abuso que cometemos, tudo se imprime no ser profundo que somos. Nada se perde. A vida espiritual confirma o que já intuíamos: o corpo é breve, mas seus efeitos são duradouros.

Se compreendermos essa verdade, passamos a viver de outra forma. Cada gesto de autocuidado se torna gratidão. Cada limite do corpo se transforma em lição. Cada dor, aprendizado. Cada força, oportunidade. O corpo é sagrado porque nos permite realizar a missão para a qual renascemos. Por meio dele, podemos amar, reparar, recomeçar, servir e crescer.

Assim, ao contemplarmos o corpo humano — com suas belezas, suas fraquezas, seu mistério — reconhecemos que ele é mais do que carne: é o abrigo onde o espírito se torna visível. É o templo onde a vida divina nos convida a evoluir. É a ponte que une o céu e a Terra no breve intervalo chamado existência.

Honrar o corpo é honrar a própria reencarnação. E honrar a reencarnação é honrar o compromisso com Deus, conosco mesmos e com todos aqueles que depositaram confiança no nosso retorno. Porque cada vida é uma oportunidade sagrada — e o corpo humano, o santuário onde essa oportunidade se cumpre.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo


Livros consultados: O Livro dos Espíritos (q. 344–360); A Gênese (cap. 6, itens 10–25); O Evangelho Segundo o Espiritismo; Evolução em Dois Mundos; Nosso Lar; Missionários da Luz.


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