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Entre o Orgulho e a humildade: a escolha que define destinos

No capítulo 7 de O Evangelho Segundo o Espiritismo , intitulado “Bem-aventurados os pobres de espírito”, encontramos um dos ensinamentos mais profundos e ao mesmo tempo mais mal compreendidos do Cristo. Quando Jesus declara: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”, Ele não está exaltando a ignorância intelectual, nem incentivando a falta de esforço pelo conhecimento. Ao contrário, está nos convidando a refletir sobre a humildade — essa virtude silenciosa que sustenta todas as demais. Ser “pobre de espírito” é ser simples de coração. É não se considerar acima de ninguém. É compreender que, diante de Deus, todos somos aprendizes em diferentes estágios da jornada evolutiva. A tendência humana, entretanto, é outra: é a de se crer acima de tudo e de todos. O orgulho é uma sombra que nos acompanha desde as experiências mais primitivas. Ele se manifesta quando acreditamos que sabemos mais, que somos melhores, que nossa dor é maior, que nossa opinião é superio...

Ocupações e Missões dos Espíritos na Visão Espírita

                       

Na Doutrina Espírita, a vida após a morte não é um estado de repouso passivo. Cada Espírito, conforme seu grau de evolução, possui ocupações e missões que se harmonizam com suas capacidades intelectuais e morais. Essa compreensão, exposta por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, mostra que ninguém permanece ocioso no mundo espiritual: todos trabalham pelo próprio progresso e pelo bem coletivo.

“Concorrem para a harmonia do Universo, executando as vontades de Deus, cujos ministros eles são.” (O Livro dos Espíritos, q. 573). Essa afirmação de Kardec sintetiza a importância das ocupações e missões, como engrenagens do equilíbrio universal.

O que são as ocupações dos Espíritos?

As ocupações dos Espíritos no mundo espiritual são muito mais amplas do que se imagina. Kardec esclarece, em O Livro dos Espíritos (q. 558), que “todos têm ocupações proporcionais ao seu grau de evolução”, o que significa que ninguém permanece inativo após a desencarnação. As atividades variam conforme a condição moral e intelectual alcançada.

Espíritos ainda presos à matéria dedicam-se a expiações e aprendizados; os de ordem mediana auxiliam encarnados, participam da preparação de reencarnações e colaboram em colônias espirituais; já os mais elevados dedicam-se a atividades coletivas, orientando sociedades, inspirando descobertas e fortalecendo princípios éticos no mundo terreno.

Nos relatos de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, encontramos descrições detalhadas dessas atividades. Há equipes de socorro voltadas ao resgate de irmãos em sofrimento, núcleos hospitalares para tratamento de Espíritos ainda perturbados, escolas para estudo da ciência e da filosofia espiritual, além de setores especializados em planejar as provas futuras daqueles que retornarão à vida material.

Quais são as missões dos Espíritos?

As missões, por sua vez, são incumbências específicas confiadas a cada Espírito. Podem ser grandes ou pequenas, mas sempre visam ao bem. Léon Denis lembra em Depois da Morte que toda missão, por mais simples que pareça, é um ato de cooperação com o progresso universal. Kardec compara a obra divina a um edifício: tanto o arquiteto quanto o servente colaboram para que a construção se erga.

Os Espíritos mais elevados, por sua vez, assumem funções de grande responsabilidade coletiva. Trabalham na condução de povos, no estímulo a descobertas científicas, no amparo de líderes, na renovação de valores éticos e religiosos. Como ministros da lei divina, eles orientam discretamente o curso da humanidade, sem interferir no livre-arbítrio, mas oferecendo inspiração e caminhos para o progresso.

Todos os Espíritos têm missão?

Sim. Mesmo os Espíritos em aprendizado estão em missão de crescimento. Aqueles que assumem grandes responsabilidades inspiram coletividades inteiras, mas os que vivem provas pessoais também cumprem sua parte ao desenvolver virtudes e reparar erros do passado. O Céu e o Inferno ressalta que a lei do trabalho é universal, não havendo espaço para ociosidade.

Espíritos ainda imperfeitos, embora não estejam destinados a ócio eterno, também possuem ocupações que contribuem para sua própria melhoria. Podem ser direcionados ao convívio com aqueles a quem prejudicaram, aprendendo pela convivência e pela dor a corrigir suas faltas, ou ainda se envolver em trabalhos simples de auxílio sob a supervisão de entidades mais esclarecidas. Dessa forma, a vida espiritual é marcada por constante atividade, na qual o aprendizado e o serviço caminham juntos. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos (questões 558 a 567), ressalta que “os Espíritos têm sempre atribuições na ordem das coisas”, revelando que ninguém permanece sem objetivo. A ocupação espiritual, portanto, é expressão da lei divina de progresso, na qual cada ser, em seu tempo e nível, colabora para a harmonia universal.

Qual é a finalidade das ocupações e missões?

A finalidade é dupla: educar o Espírito individualmente e contribuir para o progresso coletivo. Emmanuel, em O Consolador, lembra que a vida espiritual é dinâmica e solidária, onde cada esforço é aproveitado. Kardec, em A Gênese, afirma que a ação dos Espíritos se insere no equilíbrio universal, mostrando que tudo se articula pela cooperação entre o mundo material e o espiritual.

Reflexão final

O estudo das ocupações e missões dos Espíritos nos conduz à autocrítica. Se nossas responsabilidades atuais parecem pequenas, ainda assim têm enorme valor. Cada ato de bondade e aprendizado é parte de nossa missão. Como ensina Denis, “a vida é ascensão constante”, e a tarefa maior de todos é crescer e ajudar a crescer, rumo à perfeição relativa.

Por Alexandre Cunha - O Homem no Mundo

Referências bibliográficas

  • Kardec, A. (1857). O Livro dos Espíritos. Paris: E. Dentu / FEB (trad. bras.).
  • Kardec, A. (1865). O Céu e o Inferno. Paris: Didier / FEB.
  • Kardec, A. (1868). A Gênese. Paris: Didier / FEB.
  • Denis, L. (1890). Depois da Morte. Paris: Chamuel / FEB.
  • Xavier, F. C. (1939). O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. FEB.

O Consolador, psicografado por Chico Xavier pelo espírito Emmanuel, é uma das obras fundamentais da literatura espírita. Estruturado em forma de perguntas e respostas, o livro traz 411 questões divididas em três partes: Ciência, Filosofia e Religião, oferecendo uma visão ampla e profunda sobre temas espirituais, morais e científicos à luz do Espiritismo. Com linguagem clara e acessível, Emmanuel esclarece dúvidas que envolvem a vida material e espiritual, abordando desde fenômenos da mediunidade até questões éticas e existenciais. É uma obra de estudo, reflexão e consolo, que ajuda o leitor a compreender melhor o propósito da vida e o papel do ser humano na evolução espiritual.


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